Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs

Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Escola Secundária José Saramago - Mafra

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O QUE EU NÃO QUERO SER E PORQUÊ III


Imagem daqui.




Não quero ser presunçosa;
não quero ser egoísta;
não quero que o medo se apodere de mim;
não quero ser insegura;
não quero ser preguiçosa;
não quero ser medrosa;
não quero ser tão «coração mole»;
não quero ser ingénua;
não quero deixar-me levar pelo que não interessa;
não quero perder de vista os meus objetivos;
não quero ser solitária;
não quero deixar para trás quem amo;
não quero ficar presa a quem só me quer mal;
não quero abandonar ninguém;
não quero deixar de amar;
não quero deixar de sorrir;
não quero ser triste;
não quero ser vulgar;
não quero ser maldisposta;
não quero ver o mundo com olhos tristes ou zangados;
não quero ser a pior versão de mim mesma;
não quero esconder a minha melhor versão;
não quero passar despercebida;
não quero ser ninguém;
não quero não ser eu;
isto tudo porque quero ser feliz.

Elisabete Domingos, Aluna do 12º CT4 desta Escola.



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

AS MINHAS PALAVRAS PREFERIDAS (E AQUELAS QUE DETESTO)


Vincent Van Gogh, Le café de nuit (1888).
Imagem daqui.




Pode parecer estranho, mas o meu instinto leva-me a dizer que as minhas palavras preferidas são o cor de laranja, o amarelo e o verde, enquanto as que detesto (não é somente não gostar, é mesmo detestar) são: o preto, o roxo e o castanho. Mas porquê as cores? Não devem significar unicamente a tonalidade que designam?

Ao contrário de muita gente talvez, para mim cada cor está associada a uma sensação, a uma memória ou, até mesmo, a uma pessoa. Neste caso, sinto a necessidade de, em primeiro lugar, mostrar os tópicos ou as palavras a que mais sou sensível: o preto representa uma pessoa da minha vida que me marcou da forma mais negativa; o roxo e o castanho são duas cores associadas às nódoas negras, à dor.

Por outro lado, as cores que me representam hoje em dia, que contribuíram para formar a pessoa que sou, são: o laranja - a cor do pôr-do-sol, a cor que aquece o coração e que me lembra a amizade; o amarelo - a cor da alegria, do sol que me faz sentir feliz; por fim, o verde - a cor da esperança, que me leva a acreditar que existe sempre um novo dia, um recomeço.

Texto da autoria de uma Aluna do 12º SE1.



sexta-feira, 13 de outubro de 2017

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

CONFISSÕES II


Imagem daqui.




Não sou melhor que ninguém, mas tento ser melhor do que eu própria a cada dia que passa.

Irina Pedroso, Aluna do 12º CT4 desta Escola.



quarta-feira, 11 de outubro de 2017

CONSELHOS QUE DARIA A UM MARCIANO ACABADINHO DE ATERRAR NA MINHA RUA... II


Imagem daqui.




Seria interessante se um marciano aterrasse agora mesmo na minha rua. Se isso acontecesse, dar-lhe-ia alguns conselhos para viver aqui, na Terra.

«Não sei como funciona o teu planeta» - dir-lhe-ia - «mas a verdade é que aqui na Terra somos todos diferentes; infelizmente, nem sempre a diferença é vista como uma característica da diversidade, mas, sim, como algo estranho e repugnante... Enquanto aqui permaneceres, deves respeitar as características daqueles que te rodeiam e dar o teu máximo para que cada pessoa possa viver em paz e harmonia consigo mesma e com os outros. Deves ser humilde, ajudar aqueles que necessitam e sobretudo preservar a vida!

Não sei se sabes, mas existem alguns seres que habitam neste planeta que não respeitam a vida, que se acham donos e senhores do mundo, matando e causando sofrimento apenas porque acreditam que o ser humano é superior... No entanto, há algo maravilhoso que não posso deixar de te referir: a Natureza. Fazem parte dela uns seres muito especiais, os nossos melhores amigos, aos quais chamamos Animais. São sempre fiéis e amam-nos de forma incondicional. Lamentavelmente, nem sempre são considerados e respeitados como merecem. Estes seres maravilhosos contribuem para a fantástica paleta de cores que compõe o nosso planeta, em conjunto com o verde das árvores, o castanho da terra, o azul do mar e do céu, a luz do sol e o brilho da lua.

Vivemos num planeta admirável, repleto de tonalidades e aromas, mas os seres humanos nem sempre mostram apreciar estas riquezas. Apesar dessa ingratidão, somos capazes de grandes proezas, como amar incondicionalmente, cuidar e ajudar, construir, criar e inovar, pensar e refletir, abraçar e sorrir!»

Joana Miranda, Aluna do 12º CT3 desta Escola.



terça-feira, 10 de outubro de 2017

ANA HATHERLY E O BARROCO - NUM JARDIM FEITO DE TINTA


Ana Hatherly (1929-2015), Sem título (1972). Tinta da China sobre papel.
A imagem e todas as informações encontram-se aqui.



Exposição-ensaio patente na Fundação Calouste Gulbenkian, de 13 de outubro a 15 de janeiro de 2018.



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

DO QUE NÃO SE ACABA


Jacek Yerka.




DO QUE NÃO SE ACABA

Pode parecer coisa pouca o que
Escrevo
Mas se bem percebo
A sílaba cresce em palavra,
Que acrescentada uma a outra
Nunca se acaba!

Maria Manuel Reis, Professora desta Escola.



POESIA DE LUÍSA CORDEIRO (21)


Sou... e não sou...



Não sou maior 
nem menor,
não sou de menos 
nem demais,
não me sei dividir
nem multiplicar,
apenas e tão somente
me sei dar.



Osmose,
vasos comunicantes,
fusão...
arco-íris,
sol,
luz e penumbra...
absorção.



No âmago, 
à flor da pele, 
tão simplesmente...
sou...
na palma da minha mão. 


Luísa Cordeiro (assistente administrativa na ESJS)


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

CONFISSÕES I


Imagem daqui.




Não quero ser «desconhecido» nem esquecido; aceitarei tudo o que contribua para melhorar o meu estilo de vida, desde que não altere o seu fundamento - o resto recuso; nada me destroça mais que perder alguém, apenas não o mostro porque não preciso de o fazer, do mesmo modo que o amor que sinto se esconde; lembro-me de tudo o que quero, esqueço-me, em contrapartida, de tudo o que não preciso; qualquer arte é boa; não tenho filmes favoritos; sempre tive medo de uma, e apenas de uma, coisa, não da morte, mas do final da minha história; nunca perdi nada que passasse a vida a procurar, se perdesse, e a busca persistisse, isso significaria que não me tinha empenhado suficientemente na procura; visitei apenas França, Espanha e Londres, o Japão ainda não; a minha memória mais bela não é a mais bonita, é, contudo, a que mais tempo perdura; no caminho para a Escola vejo apenas carros e estradas, pessoas e edifícios; não tenho especial gosto nem desgosto por palavras; detestaria provar insetos; a ninguém mais se escreve, mas, se pudesse, corresponder-me-ia com o mundo todo; já aprendi muito na Escola, e embora ainda não seja o suficiente, já é tanto que é impossível escrevê-lo; domingo de chuva é um dia como qualquer outro, farei o que no resto dos dias não pude realizar; acho que o gato não deseja nada ao rato, apenas o quer como bola; o professor ensina como profissão, no entanto o seu trabalho é educar o aluno; não daria conselhos nenhuns a um marciano que, eventualmente, chegasse à minha rua, até porque ele não me entenderia.

Henrique Antunes, Aluno do 12º SE1 desta Escola.




1867 - UM ANO DE GIGANTES: RAUL BRANDÃO, ANTÓNIO NOBRE, CAMILO PESSANHA


A imagem e todas as informações encontram-se aqui.



«O Congresso Internacional 1867 - Um Ano de Gigantes: Raul Brandão, António Nobre, Camilo Pessanha (...), que decorrerá no Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal entre os dias 23 e 25 de outubro de 2017, tem como propósito desenvolver distintas leituras tendo como mote cada um dos autores e a importância singular do conjunto que representam.»



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

O QUE EU NÃO QUERO SER E PORQUÊ II


Imagem daqui.




Atualmente, o Homem receia as capacidades da sua própria espécie. Temos medo de terroristas e do que eles poderão fazer, temos medo de ser enganados ou traídos.

Acredito que o receio que temos da nossa espécie se deve ao facto de termos consciência de que, simultaneamente, o ser humano possui um instinto selvagem e é dotado de inteligência racional.

Não quero ser temida, mas respeitada e, tal como todos os humanos, não quero ser enganada nem traída. Porque concordo com o provérbio «Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti» também não quero ser mentirosa nem traidora.

Não quero ser egoísta nem advogada, não quero ser interesseira nem pintora, não quero ser ambiciosa nem contabilista... Enfim, há muita coisa que eu não quero ser, o difícil é saber o que quero.

Daniela Duarte, Aluna do 12º CT3 desta Escola.



terça-feira, 3 de outubro de 2017

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

MÊS INTERNACIONAL DA BIBLIOTECA ESCOLAR 2017

Imagem: Rede de Bibliotecas Escolares (RBE)

Ligando comunidades e culturas

Este é o tema definido pela International Association of School Librarianship (IASL).

Para assinalar o Mês Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE), a RBE lança o concurso de ideias "Ligando comunidades e culturas".
Até 3 de novembro, os alunos são desafiados a apresentar uma ideia. O desafio consiste na criação de um jogo original.

Consulte aqui toda a informação sobre o concurso.

3ª EDIÇÃO DO PRÉMIO LITERÁRIO UCCLA - NOVOS TALENTOS, NOVAS OBRAS EM LÍNGUA PORTUGUESA


A imagem e todas as informações, incluindo o regulamento, encontram-se aqui.




As candidaturas ao Prémio Literário da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) decorrerão até 31 de janeiro de 2018. São admitidas candidaturas de concorrentes de qualquer nacionalidade, fluentes na língua portuguesa, com idade não inferior a 16 anos.




SÉTIMO SIGNO


Homo signorum, manuscrito, ca. 1450-1460.




SÉTIMO SIGNO

Em sétimo signo navego
Fazendo do Ar o meu elemento,
Governada por Vénus balanço no que carrego
E aproximo-me da minha viragem no tempo.

Nascida em mês de libriana constelação
Exploro e idealizo o meu Universo,
Da mente faço a minha expressão
E dela virá a força zodiacal em mar adverso. 

Maria Manuel Reis, Professora desta Escola (e aniversariante - Parabéns!)




sexta-feira, 29 de setembro de 2017

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O QUE EU NÃO QUERO SER E PORQUÊ I


Imagem daqui.




Não quero ser alguém pessimista,
Não quero ser materialista,
E tenho de incluir nesta lista
Não querer ser alguém que não sou,

Porque todos os outros já estão ocupados,
Tal como a lua é a lua
E o sol é o sol.

Não quero ser ignorante:
Quero aprender algo novo todos os dias
E abraçar essa oportunidade.

Não quero ser preguiçosa nem teimosa,
Mas infelizmente sou assim...
Pois a preguiça teima em não me deixar
Dar o melhor de mim.

Arina Belaia, Aluna do 12º CT3 desta Escola.




quarta-feira, 27 de setembro de 2017

OBJETIVO MORDZINSKI - UMA VIAGEM AO CORAÇÃO DA LITERATURA IBERO-AMERICANA





«A exposição fotográfica "Objetivo Mordzinski - Uma viagem ao coração da literatura ibero-americana", do argentino Daniel Mordzinski, vai estar patente entre 4 de outubro e 29 de dezembro na Casa da América Latina, marcando os 39 anos de carreira deste artista que se dedicou ao retrato de escritores.

A exposição conta com centenas de retratos de escritores, 70 dos quais portugueses. Entre os escritores portugueses retratados, contam-se nomes como António Lobo Antunes, Agustina Bessa-Luís, Eduardo Lourenço ou José Saramago. Vários rostos da literatura latino-americana, desde Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, até aos atuais escritores emergentes na região, estão também representados numa mostra assente na relação que a fotografia mantém com a literatura.

"Objetivo Mordzinski é um olhar sobre o futuro, bem como um objetivo que reivindica e reclama a memória - a dos escritores que retrato, a dos seus livros e a minha também. Outro objetivo é incitar e promover a leitura: sempre fui da opinião que nos livros se escondem os verdadeiros segredos da vida, que não são nem o dinheiro, nem o poder, nem a fama. Comecei a retratar os autores que admiro aos dezoito anos e o meu objetivo é continuar, para poder compartilhar com os outros essas certezas de adolescente", comenta o artista.»

A imagem, o texto e outras informações encontram-se no sítio da Casa da América Latina.



terça-feira, 26 de setembro de 2017

DA CONCISÃO LXXXVI


Imagem daqui.



"A névoa é o perdão do sol ás coisas imperfeitas."


Castello de Moraes, "Névoa", in AAVV, Orpheu - Edição fac-similada, provas tipográficas de Orpheu 3 (digitalização: biblioteca da Casa Fernando Pessoa), Lisboa, Edições Tinta-da-china, 2015, p. 225.




segunda-feira, 25 de setembro de 2017

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

DA CONCISÃO LXXXV (OUTONO)


Imagem daqui.



11

O outono
também é
uma coisa
que começa


Paul Claudel, Cent phrases pour éventails (1927), in "Vozes da Poesia Europeia - III", Colóquio-Letras, traduções de David Mourão-Ferreira, número 165, setembro-dezembro de 2003, p. 28.



quinta-feira, 21 de setembro de 2017

SALA CHEIA


Robert Doisneau,  Une salle de classe (1957).
Imagem daqui.




NÃO HÁ

Não há o mestre
Não há o aprendente,
Não há o trimestre
Não há o correr surpreendente.
Não há o toque
Não há o chegar atrasado,
Não há o chegar a reboque
Não há o rosto resignado.
Não há a parte teórica
Não há a indesejada gramática,
Não há o prazer da retórica
Não há a vantagem da prática.
Não há o grupo ou o par
Não há a definição do tema,
Não há o movimento a trabalhar
Não há o estratagema.
Não há o artigo que se lê
Não há a mensagem que desafia,
Não há a imagem que se vê
Não há a opinião que contraria.
Não há a canção
Não há a rima,
Não há a atenção
Não há o tom que se afina.
Não há o poema
Não há a linha,
Não há o fonema
Não há a entoação que convinha.
Não há a pintura
Não há a fotografia,
Não há o texto com rasura
Não há a ilegível caligrafia.
Não há a janela por onde se espreita
Não há o livro aberto,
Não há a resposta que deleita
Não há o olhar desperto.
Não há a ânsia da saída
Não há a matéria já arrumada,
Não há a voz já não ouvida
Não há a palavra já não registada.

Há  uma sala cheia de quase tudo
Que pode parecer quase nada!


Maria Manuel Reis, Professora desta Escola.



quarta-feira, 20 de setembro de 2017

COISAS DESOLADORAS, COISAS QUE FAZEM BATER O CORAÇÃO, COISAS SEM VALOR, COISAS QUE DEVEM SER BREVES...

Imagem daqui.




Uma das coisas mais desoladoras na vida (senão a maior!) deve ser amar uma pessoa que não nos ama. Que o digam os grandes poetas e românticos da História. Para além de teres o coração partido em mil pedaços, sentes que ninguém te compreende e, pior ainda, tornas-te motivo de pena.

Mas que sei eu de amor? Na realidade não sei nada e ainda bem. É certo que tenho as minhas paixonetas. Tenho aquela pessoa especial que me aquece a alma e faz bater o coração de uma forma diferente de um filme de terror ou de um momento em que estou prestes a tomar uma decisão precipitada. Aquela pessoa em redor da qual a minha mente vagueia constantemente.

Não digo que esta paixão me tenha partido o coração, mas, infelizmente, também não o colou de volta.

Diana Freire, Aluna do 12º SE1 desta Escola.




"PORTUGAL FUTURISTA" E OUTRAS PUBLICAÇÕES DE 1917


Capa do número único de "Portugal Futurista".



«(...) Portugal Futurista não foi, efetivamente, uma revista qualquer. A sua apreensão imediata é bem reveladora do seu conteúdo, tão invulgar quanto o de Orpheu, saída dois anos antes, e que ainda hoje nos faz sorrir. Uma carta datada de 11 de julho de 1917 pretende precisamente reatar a provocação e mostrar como existe uma continuidade entre as duas revistas, ainda que falemos de coisas (e protagonistas) diferentes. Da autoria de Fernando Pessoa, a carta fala da possibilidade de ainda editar um terceiro número de Orpheu, edição que nunca chegou a acontecer na sua vida. (...)»


Mostra patente na Biblioteca Nacional, de 26 de setembro a 30 de dezembro de 2017.



terça-feira, 19 de setembro de 2017

GRAMÁTICA UNIVERSAL


Painéis de São Vicente.

Painel do Infante.
Imagens daqui.



«(...) Em 1960, através de uma série de entrevistas a Almada Negreiros, o Diário de Notícias anunciava a conclusão de extensos estudos que tinham levado o entrevistado à "teoria fundamental que rege o curso da humanidade", o cânone, imutável "e permanente em cada pessoa humana". O objecto dos estudos tinha sido, fundamentalmente, os painéis de São Vicente. Numa síntese entre racionalidade geométrica e messianismo nacionalista, Almada descobrira uma gramática universal - mas interpretada pela obra maior de uma tradição nacional - anterior a qualquer opinião - mas por onde todas as opiniões teriam de se exprimir -, impossível de ensinar porque imanente, um "conhecimento" em que "permanecem para todas as circunstâncias do espaço e do tempo todas as constantes encontradas primeiro". Mais do que épico, o tom é (...) messiânico, o que dá aos seus trabalhos um carácter de profecia que os coloca para além de qualquer discussão:

"A eruditos apresento o resultado. Sujeito-me absolutamente à competência das suas respectivas erudições. Que venham. Mas não queiram trazer cálculo a conhecimento cuja característica é não o ter. Se o cálculo confirmar, parabéns ao cálculo. Se não confirmar, cuidado com o cálculo."

(...) É impossível não ver na indiferença perante o "cálculo" dos eruditos sobre o cânone a mesma recusa expressa numa crítica à peça Adão e Eva de Jaime Cortesão, que é também uma tentativa de afirmação geracional, quarenta anos antes, nas páginas do Diário de Lisboa: "Mau vai, quando a nossa cabeça começa a lançar mão de raciocínio. (...) Isso era dantes. Antes de nós termos nascido. Já houve vinte séculos e mais de raciocínio, já está tudo raciocinado."(...)»


Luís Trindade, "A forma de Almada: o século XX de Almada Negreiros", in José de Almada Negreiros - Uma Maneira de Ser Moderno, catálogo da exposição patente entre 3 de fevereiro e 5 de junho de 2017, na galeria principal e na galeria do piso inferior do edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian, 2017, p. 78.




segunda-feira, 18 de setembro de 2017

CONSELHOS QUE DARIA A UM MARCIANO ACABADINHO DE ATERRAR NA MINHA RUA... I


Imagem do filme Close Encounters of the Third Kind (1977), de Steven Spielberg. Daqui.



A um marciano que eventualmente aterrasse na minha rua, far-lhe-ia desde logo alguns avisos prévios que ele deveria ter em conta, caso quisesse sair tal e qual tinha entrado.

Em primeiro lugar, informava-o de que vivo na porta nº 11, tenho um cão considerado de raça perigosa (e não tenho a típica placa onde se lê «Cuidado com o cão!», de propósito para surpreender os mais «curiosos») e que seria apenas benéfico para ele não ousar incomodar-me a horas desapropriadas.

Em segundo lugar, os meus vizinhos são meus familiares, e esta postura intimidatória é algo comum a todos; em vista disso não recomendaria nenhum tipo de gesto mais precipitado. Caso ele tivesse fome, eles também não seriam uma boa opção, pois o forte da minha tia não é bem a culinária.

Por último, e este, sim, um conselho positivo, no início da rua vive uma família acolhedora, à qual pertence uma filha mais bonita que o habitual, portanto, se ele necessitasse de alguma coisa, e caso lhe restassem dois dedos de testa, era lá que deveria tocar.

André Afonso, Aluno do 12º SE1 desta Escola.




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

DUALISMO


Imagem daqui.




DUALISMO

Fosse a vida duas,
Já não digo sete
Que aborrece em excesso,
Mas em par, o ideal,
Para que em desigualdade,
Sem preocupação ordinal,
Primeira ou segunda,
Se pudesse reviver uma vida
Que à outra não fosse igual!

Maria Manuel Reis, Professora desta Escola.



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ELE É UMA ANTOLOGIA


Imagem daqui.




"Eu sou uma anthologia.
Screvo tam diversamente
Que, pouca ou muita a valia
Dos poemas, ninguém diria
Que o poëta é um sòmente"

(De um poema de 17-12-1932)


Fernando Pessoa, Eu Sou uma Antologia - 136 Autores Fictícios, edição de Jerónimo Pizarro e Patricio Ferrari, Lisboa, Tinta-da-China, 2013, p. 12.




terça-feira, 12 de setembro de 2017

REALIDADE E CRIAÇÃO ARTÍSTICA


René Magritte, Le blanc seing (1965).
Imagem daqui.




«(...) As luzes quebram-se, apagam-se na sala, ouvem-se as pancadas ditas de Molière, que espanto causarão elas nas cabeças dos pescadores e suas mulheres, talvez imaginem que são os últimos preparos da carpintaria, as últimas marteladas do maço no estaleiro, abriu-se o pano, está uma mulher a acender o lume, noite ainda, lá atrás do cenário ouve-se uma voz de homem, a do chamador, Mané Zé Ah Mané Zé, é o teatro que começa. A sala suspira, flutua, às vezes ri, alvoroça-se no fim do primeiro acto, naquela grande zaragata das mulheres, e quando as luzes se acendem, vêem-se rostos animados, bom sinal, em cima há exclamações, chamam-se de camarote para camarote, até parece que os actores se mudaram para ali, é quase o mesmo falar, quase, se melhor ou pior depende da bitola de comparação. Ricardo Reis reflecte sobre o que viu e ouviu, acha que o objecto da arte não é a imitação, que foi fraqueza censurável do autor escrever a peça no linguajar nazareno, ou no que supôs ser esse linguajar, esquecido de que a realidade não suporta o seu reflexo, rejeita-o, só uma outra realidade, qual seja, pode ser colocada no lugar daquela que se quis expressar, e, sendo diferentes entre si, mutuamente se mostram, explicam e enumeram, a realidade como invenção que foi, a invenção como realidade que será. (...)»

José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis, Lisboa, Caminho, 1998, p. 105.



quinta-feira, 7 de setembro de 2017

"REBUS" II


Dante Gabriel Rossetti, Helen of Troy (1863).
Imagem daqui.



L'Alphabet Parlant
HISTOIRE DE LA BELLE HÉLÈNE

L, N, N, E, O, P, Y; E, L, N, I, A, E, T, L, V; L, I, A, V, Q; L, I, A, M, E; L, I, A, E, T, M, E, E, A, I; L, I, A, E, T, H, T; L, I, A, V, G, T; L, I, A, R, I, T, E, L, I, E, D, C, D.


TRADUCTION

Hélène est née au pays grec; et Hélène y a été élevée, elle y a vécu; elle y a aimé, elle y a été aimée et haïe; elle y a été achetée; elle y a végété, elle y a hérité et elle y est décédée.


George Nestler Tricoche, Vade Mecum du Professeur de Français, New Jersey, George Nestler Tricoche, 1909, p. 80.




quarta-feira, 6 de setembro de 2017

CLUBE DE LEITORES DA IMPRENSA NACIONAL





A 1ª edição do Clube de Leitores da Imprensa Nacional conta com a orientação de Gonçalo M. Tavares e será dedicada a leituras e temas clássicos da literatura portuguesa. As sessões, em número de 10, decorrerão entre outubro de 2017 e julho de 2018, das 18h30 às 20h00, e terão lugar na Biblioteca da Imprensa Nacional, em Lisboa.

A imagem, o regulamento e outras informações encontram-se aqui.



terça-feira, 5 de setembro de 2017

SETEMBRO


Imagem daqui.



SETEMBRO


Ao Setembro reaparecido
Dissemelhante a um outro qualquer,
Aviso em sussurro de ouvido
Estar murada por outro ensinar e aprender!


Maria Manuel Reis, Professora desta Escola



segunda-feira, 4 de setembro de 2017

ARTE E VERDADE


Gustav Klimt, Minerva ou Palas Atena (1898).
Imagem daqui.





«CARÁCTER POSITIVO DA ARTE


A arte é a coisa santa da humanidade. Entre o sentimento religioso, apaixonado mas confuso e ilusório, e a Ciência, luminosa e segura mas fria, há uma região serena e clara aonde a transparência do ar consente aos olhos do espírito perceber na correcção inteira de suas linhas, a forma puríssima da Verdade, sem que por isso o coração bata com menos força, sem que por isso deixe de crer, de amar e de ser vivo. É esse o domínio eterno da Arte. (...) A viva claridade do pensamento e o ardor irresistível da paixão, a Ciência e a Religião, esses dois elementos rivais, quase contraditórios do movimento humano, encontram-se naquela alta e serena região, tocam-se, reconhecem-se... e abraçam-se como irmãos reconciliados.

Deste abraço ideal, santo e desinteressado, desta abençoada reconciliação da inteligência e do coração, nasce a coisa entre todas formosa e alta, a divindade mais cara à alma dos homens, a Beleza, e a sua forma visível, a Arte.

É o corpo ondeante e voluptuoso da Quimera sustentando a fronte grave e reflectida da Palas Ateniense. É o sonho e a realidade, unidos, harmonizados enfim pela mão omnipotente dalgum Deus desconhecido, num mundo novo de surpresas e maravilhas. O último termo do pensamento, o último termo da paixão acham-se ser o mesmo, comum para ambos, diferente dum e do outro, mas deixando perceber, através da transparência da sua síntese harmoniosa, a cor de cada uma das almas de que se compõe. Nem podia ser doutro modo. A desarmonia pode existir nos factos do mundo, nas formas aparentes; jamais nas leis eternas. E os actos do espírito se parecem contradizer-se, se flutuam encontrados, no fundo o movimento é o mesmo e a contradição visível esconde uma concordância íntima profundíssima, porque o espírito é uno e simples. A intuição e a ideia são apenas duas ondas produzidas pelo mesmo impulso; duas vozes da mesma boca, duas expressões do mesmo olhar. O que deseja o coração, o que quer a inteligência é uma coisa só: luz e amor: a verdade que se e a verdade que se sente. (...)»


Antero de Quental, "Arte e Verdade - Carácter Positivo da Arte", in Prosas da Época de Coimbra, edição crítica organizada por António Salgado Júnior, Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1973, pp. 232-233.




sexta-feira, 1 de setembro de 2017

HOMERO


Homero (suposta aparência).
Imagem daqui.



HOMERO

Escrever um poema como um boi lavra o campo
Sem que tropece no metro o pensamento
Sem que nada seja reduzido ou exilado
Sem que nada separe o homem do vivido


Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética, Alfragide, Caminho, 2011, p. 814.



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

POESIA DE LUÍSA CORDEIRO (20)



“Mar…”
 

O poente

incendiou o céu

e um fogo

azul acobreado

espelhou-se no mar

tão belo

que o olhar prendia…

e a Alma..

sorria…

sorria e se curvava

perante a beleza majestosa

desse momento ímpar

em que o sal

todo se agita.

 

Agora,

olhando novamente o céu

quero prolongar

essa sensação

de etérea vivência,

intensa

e infinita.

 


Luísa Cordeiro
 

 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

DA CONCISÃO LXXXIV


All concern demands for, and of, specific places, particularly moving between two places; all are about measuring or marking time, or the lapse of time; and about nature or the normal or the trivial; about coincidence, loneliness or separation, chance, and choice; about impressions you cannot put a word to; and all contain a moment of insight that has transformative power, and some fantastic thing that simply and blankly happens (a trick of the setting sun, a sudden onset of wind through high trees, an encounter); and about transcendence entering the everyday.

Stanley Cavell, "On Eric Rohmer's A Tale of Winter", Cavell on Film, Albany, State University of New York Press, 2005, p. 288.



sexta-feira, 28 de julho de 2017

O LADINO


Imagem daqui.




Quando os Judeus foram expulsos de Espanha e a seguir de Portugal emigraram para onde a fortuna ou o acaso os arrastou — para a Turquia, Servia, Bósnia, Bulgária, Palestina, Marrocos, como para os paises do Norte, França, Bélgica, Inglaterra, Hollanda, etc. A principio conservaram pura a lingua que fallavam — o espanhol ou o português — aquelle, porém, mais do que este; a breve trecho, como não podia deixar de ser, essa lingua começou a alterar-se, a decomporse, admittindo numerosas formas extranhas, deixando-se influenciar na sua phonetica, como na morphologia e na syntaxe pelas outras linguagens com que se encontrava em contacto.

 Formou-se assim uma espécie de dialecto em que os elementos predominantes sam o hebreu e o espanhol, a que se deu o nome de Idioma espanhol, ou Lingua castelhana, ou Lingua vulgar, ou Lingua Sephardi, ou ainda Judesmo ou Judeo-Espanhol, ou, enfim, como é mais conhecido, simplesmente — Ladino (...).

Uma das suas características é no que respeita á phonetica, por ex., a substituição do h por f  como em fijo por hijo, fablar por hablar, fambre por hambre, fermosa por hermosa, etc. Deu-se o mesmo phenomeno com o g. Diz-se em ladino agora por ahora. Nenhum auctor fez notar que estas trocas se explicam pela influencia do português. Quanto a nós não pode haver outra explicação do facto. Os judeos portugueses eram em menor numero, mas tinham a sua representação entre os emigrados bem accentuada por figuras distinctas nas letras ou na vida e regime da Synagoga. Estabelecer-se-hia assim inconscientemente uma lucta em que tinham de ficar vencidos os mais fracos. Entretanto um periodo de instabilidade de formas, de duplo emprego de termos, deveria existir.

É também frequente no ladino a mudança do n em m como muestros, muevo, mos, por nuestros, nuevo, nos. Ha a metathese do d antes do r em vedrad (verdad), pedrer (perder), vedre (verde), etc. Muitos termos são exclusivos deste dialecto, como meldar, frequentemente empregado, em vez de aprender, ler, meldador, isto é, leitor, prégador ; melda o mesmo que escola; darsar, (...) investigar, instruir, e que se emprega na significação de prégar, fazer um sermão, etc.

Os caracteres de que se serviram os Judeos na impressão das obras que saíram á luz em ladino são hebraicos, raras vezes latinos. Mas como os signaes dos dous alphabetos se não correspondem exactamente d'ahi as anomalias que se notam na transcripção e que nem sempre sam fáceis de descobrir. (...)

Joaquim Mendes dos Remédios, Os Judeus Portugueses em Amsterdam, Coimbra, F. França Amado Editor, 1911, pp. 149-151.



terça-feira, 25 de julho de 2017

ESCULTURA EM FILME


Lonnie Van Brummelen & Siebren De Haan, Monument to Another Man's Fatherland: Revolt of the Giants - reconstruído a partir de reproduções, 2008-2009.



Para ver na Galeria de Exposições Temporárias da Fundação Calouste Gulbenkian, até dia 2 de outubro de 2017.



sexta-feira, 21 de julho de 2017

CASA AMADO E SARAMAGO NA FESTA LITERÁRIA DE PARATY


Imagem e todas as informações aqui.



POESIA E POETAS ANDALUSINOS II

Sevilha
Córdoba.
Granada.
Medina.
Judiaria.
Imagens daqui.




Nomearemos, por fim, três poetisas ligadas ao nosso território. Da princesa Buthayna (século XI), apenas nos chegou um único poema, em forma de epístola dirigida a seu pai, al-Mu'tamid, então já no exílio. Buthayna que, depois do desterro daquele, havia sido feita esvrava e vendida a um mercador, usa os versos para pedir autorização para casar com um filho do seu comprador. A qualidade do poema autoriza a pensar que este teria sido apenas um entre muitos dos que terá escrito.

Maryam al-Ansârî, natural de Silves (séculos X-XI), foi uma dessas numerosas intelectuais andalusinas que, além de poetisa, era mestra de literatura, tendo alcançado assinalável notoriedade na sociedade do seu tempo. (...)

Outro exemplo notável do protagonismo cultural e social das mulheres luso-árabes é-nos dado por uma poetisa do período almôada (século XII). Ficou conhecida para a posteridade apenas como al-Shilbîa (a Silvense), de tal modo a sua nomeada dispensava qualquer outra apresentação. Governava então o Alandalus o califa almôada Ya'qûb al-Mansûr e a cidade de Silves estava sobrecarregada de impostos. Pois a "Silvense" foi escolhida pelos seus concidadãos para, em nome da cidade, apresentar uma petição de protesto ao soberano. A poetisa elaborou para a circunstância um curto poema, tão belo de forma e eficaz de conteúdo que o pedido foi atendido e a carga fiscal levantada.

Não é demais sublinhar-se a altíssima conta em que era tido o talento literário entre os andalusinos. Os dotes poéticos valiam, quase sempre, ao seu possuidor a ascensão social pois, tarde ou cedo, um príncipe ou um mecenas haveria de reparar neles. (...) Os poetas árabes, para além da poesia amorosa, cultivavam quer a sátira quer o panegírico, o que lhes dava protagonismo e visibilidade suficientes para utilizarem, sobretudo a partir de finais do século X, o seu estro como modo de vida.

A poesia luso-árabe era, essencialmente, de cariz aristocrático. Com o tempo, «democratiza-se» e, a partir de finais do século X, os novos géneros estróficos (...) «descem à rua» trazidos pelos próprios poetas da corte. Servem de base a canções/ danças populares que, após a conquista cristã, influenciaram decisivamente as cantigas de amigo galaico-portuguesas, tal como já haviam influenciado as de amor de origem provençal. O ideal cavalheiresco, bem como o do amor cortês, têm uma inegável componente islâmica, com a sua natural repercussão nos topoi poéticos.


                                                                                                       Adalberto Alves, A Herança Árabe em Portugal, CTT Correios de Portugal, 2001, pp. 72-77.