Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs

Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Escola Secundária José Saramago - Mafra

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

POESIA DE LUÍSA CORDEIRO (20)



“Mar…”
 

O poente

incendiou o céu

e um fogo

azul acobreado

espelhou-se no mar

tão belo

que o olhar prendia…

e a Alma..

sorria…

sorria e se curvava

perante a beleza majestosa

desse momento ímpar

em que o sal

todo se agita.

 

Agora,

olhando novamente o céu

quero prolongar

essa sensação

de etérea vivência,

intensa

e infinita.

 


Luísa Cordeiro
 

 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

DA CONCISÃO LXXXIV


All concern demands for, and of, specific places, particularly moving between two places; all are about measuring or marking time, or the lapse of time; and about nature or the normal or the trivial; about coincidence, loneliness or separation, chance, and choice; about impressions you cannot put a word to; and all contain a moment of insight that has transformative power, and some fantastic thing that simply and blankly happens (a trick of the setting sun, a sudden onset of wind through high trees, an encounter); and about transcendence entering the everyday.

Stanley Cavell, "On Eric Rohmer's A Tale of Winter", Cavell on Film, Albany, State University of New York Press, 2005, p. 288.



sexta-feira, 28 de julho de 2017

O LADINO


Imagem daqui.




Quando os Judeus foram expulsos de Espanha e a seguir de Portugal emigraram para onde a fortuna ou o acaso os arrastou — para a Turquia, Servia, Bósnia, Bulgária, Palestina, Marrocos, como para os paises do Norte, França, Bélgica, Inglaterra, Hollanda, etc. A principio conservaram pura a lingua que fallavam — o espanhol ou o português — aquelle, porém, mais do que este; a breve trecho, como não podia deixar de ser, essa lingua começou a alterar-se, a decomporse, admittindo numerosas formas extranhas, deixando-se influenciar na sua phonetica, como na morphologia e na syntaxe pelas outras linguagens com que se encontrava em contacto.

 Formou-se assim uma espécie de dialecto em que os elementos predominantes sam o hebreu e o espanhol, a que se deu o nome de Idioma espanhol, ou Lingua castelhana, ou Lingua vulgar, ou Lingua Sephardi, ou ainda Judesmo ou Judeo-Espanhol, ou, enfim, como é mais conhecido, simplesmente — Ladino (...).

Uma das suas características é no que respeita á phonetica, por ex., a substituição do h por f  como em fijo por hijo, fablar por hablar, fambre por hambre, fermosa por hermosa, etc. Deu-se o mesmo phenomeno com o g. Diz-se em ladino agora por ahora. Nenhum auctor fez notar que estas trocas se explicam pela influencia do português. Quanto a nós não pode haver outra explicação do facto. Os judeos portugueses eram em menor numero, mas tinham a sua representação entre os emigrados bem accentuada por figuras distinctas nas letras ou na vida e regime da Synagoga. Estabelecer-se-hia assim inconscientemente uma lucta em que tinham de ficar vencidos os mais fracos. Entretanto um periodo de instabilidade de formas, de duplo emprego de termos, deveria existir.

É também frequente no ladino a mudança do n em m como muestros, muevo, mos, por nuestros, nuevo, nos. Ha a metathese do d antes do r em vedrad (verdad), pedrer (perder), vedre (verde), etc. Muitos termos são exclusivos deste dialecto, como meldar, frequentemente empregado, em vez de aprender, ler, meldador, isto é, leitor, prégador ; melda o mesmo que escola; darsar, (...) investigar, instruir, e que se emprega na significação de prégar, fazer um sermão, etc.

Os caracteres de que se serviram os Judeos na impressão das obras que saíram á luz em ladino são hebraicos, raras vezes latinos. Mas como os signaes dos dous alphabetos se não correspondem exactamente d'ahi as anomalias que se notam na transcripção e que nem sempre sam fáceis de descobrir. (...)

Joaquim Mendes dos Remédios, Os Judeus Portugueses em Amsterdam, Coimbra, F. França Amado Editor, 1911, pp. 149-151.



terça-feira, 25 de julho de 2017

ESCULTURA EM FILME


Lonnie Van Brummelen & Siebren De Haan, Monument to Another Man's Fatherland: Revolt of the Giants - reconstruído a partir de reproduções, 2008-2009.



Para ver na Galeria de Exposições Temporárias da Fundação Calouste Gulbenkian, até dia 2 de outubro de 2017.



sexta-feira, 21 de julho de 2017

CASA AMADO E SARAMAGO NA FESTA LITERÁRIA DE PARATY


Imagem e todas as informações aqui.



POESIA E POETAS ANDALUSINOS II

Sevilha
Córdoba.
Granada.
Medina.
Judiaria.
Imagens daqui.




Nomearemos, por fim, três poetisas ligadas ao nosso território. Da princesa Buthayna (século XI), apenas nos chegou um único poema, em forma de epístola dirigida a seu pai, al-Mu'tamid, então já no exílio. Buthayna que, depois do desterro daquele, havia sido feita esvrava e vendida a um mercador, usa os versos para pedir autorização para casar com um filho do seu comprador. A qualidade do poema autoriza a pensar que este teria sido apenas um entre muitos dos que terá escrito.

Maryam al-Ansârî, natural de Silves (séculos X-XI), foi uma dessas numerosas intelectuais andalusinas que, além de poetisa, era mestra de literatura, tendo alcançado assinalável notoriedade na sociedade do seu tempo. (...)

Outro exemplo notável do protagonismo cultural e social das mulheres luso-árabes é-nos dado por uma poetisa do período almôada (século XII). Ficou conhecida para a posteridade apenas como al-Shilbîa (a Silvense), de tal modo a sua nomeada dispensava qualquer outra apresentação. Governava então o Alandalus o califa almôada Ya'qûb al-Mansûr e a cidade de Silves estava sobrecarregada de impostos. Pois a "Silvense" foi escolhida pelos seus concidadãos para, em nome da cidade, apresentar uma petição de protesto ao soberano. A poetisa elaborou para a circunstância um curto poema, tão belo de forma e eficaz de conteúdo que o pedido foi atendido e a carga fiscal levantada.

Não é demais sublinhar-se a altíssima conta em que era tido o talento literário entre os andalusinos. Os dotes poéticos valiam, quase sempre, ao seu possuidor a ascensão social pois, tarde ou cedo, um príncipe ou um mecenas haveria de reparar neles. (...) Os poetas árabes, para além da poesia amorosa, cultivavam quer a sátira quer o panegírico, o que lhes dava protagonismo e visibilidade suficientes para utilizarem, sobretudo a partir de finais do século X, o seu estro como modo de vida.

A poesia luso-árabe era, essencialmente, de cariz aristocrático. Com o tempo, «democratiza-se» e, a partir de finais do século X, os novos géneros estróficos (...) «descem à rua» trazidos pelos próprios poetas da corte. Servem de base a canções/ danças populares que, após a conquista cristã, influenciaram decisivamente as cantigas de amigo galaico-portuguesas, tal como já haviam influenciado as de amor de origem provençal. O ideal cavalheiresco, bem como o do amor cortês, têm uma inegável componente islâmica, com a sua natural repercussão nos topoi poéticos.


                                                                                                       Adalberto Alves, A Herança Árabe em Portugal, CTT Correios de Portugal, 2001, pp. 72-77.




quinta-feira, 20 de julho de 2017

POESIA E POETAS ANDALUSINOS I


Imagem daqui.




Entre todos os poetas luso-árabes, o mais universalmente conhecido, até porque foi rei de Sevilha e versos seus figuram nas Mil e Uma Noites, é, sem dúvida, al-Mu'tamid ibn 'Abbâd, de Beja (século XI). Ele cantou o seu cativeiro, após ser destronado pelos Almorávidas e enviado para o desterro em Âgmât (Marrocos), em versos pungentes, até à morte. Outro admirável poeta foi Abû Bakr ibn 'Ammâr, de Estômbar (Silves, século XI), amigo de al-Mu'tamid e seu grão-vizir, contra quem se viria a revoltar, proclamando-se independente em Múrcia. Por força de intrigas palacianas, a rebeldia de Ibn 'Ammâr acabaria por custar-lhe a vida às mãos de al-Mu'tamid num acesso de incontrolável fúria. Ibn 'Ammâr foi um importante protagonista político, utilizando um estilo requintado nos seus versos.

De Évora era Ibn 'Abdûn que, além de notável poeta, foi grande erudito: deu mostras da sua proverbial cultura numa célebre elegia sobre a morte do seu patrono, o emir de Badajoz.

Ibn Bassâm, de Santarém (século XII), é considerado uma das glórias da Literatura árabe, não só pela qualidade dos seus versos mas, muito especialmente, pela excepcional antologia comentada da poesia do Alandalus, que ele intitulou com toda a propriedade al-Dhakîra (Tesouro). Trata-se de uma recensão, de valor, de toda a produção neo-clássica da poesia do Alandalus, e a ela se deve ter sido salva uma considerável parte da posia luso-árabe, e andalusina, do seu tempo. Também de Santarém foi Ibn Sâra (séculos XI-XII), homem de independência de carácter, que nos deixou uma poesia dotada de grande poder evocador, através de metáforas audaciosas.

Ibn Darrâj al-Qastallî, de Cacela (séculos X-XI), escreveu na grande tradição da poesia árabe clássica, cultivando, com mestria, um estilo solene muito admirado no seu tempo.

Ibn Muqânâ (século XI) nasceu em Alcabideche, terra para onde voltou depois de uma vida errante ao serviço de vários senhores. Poeta reputado, abandonou voluntariamente a vida na corte para passar os seus últimos dias como camponês quase anónimo, trabalhando a terra em comunhão com a natureza.

(continua...)

Adalberto Alves, A Herança Árabe em Portugal, CTT Correios de Portugal, 2001, pp. 69-71.



terça-feira, 18 de julho de 2017

LISBOA


Imagem daqui.



LISBOA

Descei do céu para Lisboa, vindos de Nova York, e vereis a torre de Belém como um castelo de areia. Se o rio crescesse como cresce o mar, arrancava-lhe os dentes um a um. E ficava desdentada a bela torre; a sua lendária face deixava de ser a proa de Lisboa. E o velho do Restelo não sabia mais o que dizer nem onde se encostar.


Agustina Bessa-Luís, Caderno de Significados, selecção, organização e fixação de texto de Alberto Luís e Lourença Baldaque, Lisboa, Guimarães Editores, 2013, p. 57.



quarta-feira, 12 de julho de 2017

ENID BLYTON (1897-1868): 75 ANOS DE "OS CINCO"


Capa de Os Cinco e a Ciganita, Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1957.
Imagem e informações detalhadas aqui.



Mostra patente na Biblioteca Nacional de Portugal, a partir de julho (data a anunciar) até 7 de outubro de 2017.



sexta-feira, 7 de julho de 2017

DA CONCISÃO LXXXIII


Imagem daqui.




"(...) a cultura é uma iniciação. E é-o porque tem a essência da iniciação - ser uma outra vida."

Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão, introdução e organização de Joel Serrão, Lisboa, Ática, 1980, p. 52.




quarta-feira, 21 de junho de 2017

segunda-feira, 12 de junho de 2017

A CADEIRA AMARELA


Vincent Van Gogh, A Cadeira de Van Gogh (1888).
Imagem daqui.



Per F.C.

"A CADEIRA AMARELA", DE VAN GOGH


No chão de tijoleira uma cadeira rústica,
rusticamente empalhada, e amarela sobre
a tijoleira recozida e gasta.
No assento da cadeira, um pouco de tabaco num papel
ou num lenço (tabaco ou não?) e um cachimbo.
Perto do canto, num caixote baixo,
a assinatura. A mais do que isto, a porta,
uma azulada e desbotada porta.
Vincent, como assinava, e da matéria espessa,
em que os pincéis se empastelaram suaves,
se forma o torneado, se avolumam as
travessas da cadeira como a gorda argila
das tijoleiras mal assentes, carcomidas, sujas.

Depois das deusas, dos coelhos mortos,
e das batalhas, príncipes, florestas,
flores em jarras, rios deslizantes,
sereno lusco-fusco de interiores de Holanda,
faltava esta humidade, a palha de um assento,
em que o vício modesto - o fumo - foi esquecido,
ou foi pousado expressamente como sinal de que
o pouco já contenta quem deseja tudo.

Não é no entanto uma cadeira aquilo
que era mobília pobre de um vazio quarto
onde a loucura foi piedade em excesso
por conta dos humanos que lá fora passam,
lá fora riem, mas de orelhas que ouçam
não querem mesmo numa salva rica
um lóbulo cortado, palpitante ainda,
banhado em algum sangue, o «quantum satis»
de lealdade, amor, dedicação, angústia,
inquietação, vigílias pensativas,
e sobretudo penetrante olhar
da solidão embriagadora e pura.

Não é, não foi, nem mais será cadeira:
Apenas o retrato concentrado e claro
de ter lá estado e ter lá sido quem
a conheceu de olhá-la, como de assentar-se
no quarto exíguo que é só cor sem luz
e um caixote ao canto, onde assinou Vincent.

Um nome próprio, um cachimbo, uma fechada porta,
um chão que se esgueira debaixo dos pés
de quem fita a cadeira num exíguo espaço,
uma cadeira humilde a ser essa humildade
que lhe rói de dentro o dentro que não há
senão no nome próprio em que as crianças têm
uma fé sem limites por que vão crescendo
à beira da loucura. Há quem assine,
a um canto, num caixote, o seu nome de corvo.
E há cantos em pintura? Há nomes que resistam?
Que cadeira, mesmo não-cadeira, é humildade?
Todas, ou só esta? Ao fim de tudo,
são só cadeiras o que fica, e um modesto vício
pousado sobre o assento enquanto as cores se empastam?


Lisboa, 21-5-1959


A Arte de Jorge de Sena, edição de Jorge Fazenda Lourenço, Lisboa, Relógio d'Água Editores, 2004, pp. 63-64.




sábado, 10 de junho de 2017

DIA DE CAMÕES


Busto de Luís de Camões. Real Gabinete Português de Leitura, Rio de Janeiro.
Imagem daqui.




XXVII


EM LOUVOR DO GRANDE CAMÕES


Sobre os contrários e terror e a morte
Dardeje embora Aquiles denodado,
Ou no rápido carro ensanguentado
Leve arrastos sem vida o Teucro forte:

Embora o bravo Macedónio corte
Coa a fulminante espada o nó fadado,
Que eu de mais nobre estímulo tocado,
Nem lhe amo a glória, nem lhe invejo a sorte:

Invejo-te, Camões, o nome honroso;
Da mente criadora o sacro lume,
Que exprime as fúrias de Lieu raivoso:

Os ais de Inês, de Vénus o queixume,
As pragas do gigante proceloso,
O céu de Amor, o inferno do Ciúme.

Manuel Maria Barbosa du Bocage, "Sonetos", in Obras de Bocage, Porto, Lello & Irmão Editores, 1968, p. 281.




sexta-feira, 9 de junho de 2017

CURSO DE VERÃO SOBRE A ÍNDIA


Cartaz e todas as informações aqui.



CONTRARIEDADES - Variação Criativa XXI


Imagem daqui.



Foi-me dito que podia ser o que eu quisesse; foi-nos dito que podíamos fazer o que quiséssemos; só no final me apercebi de que ou sou uma pedra da escada de alguém ou sou alguém a subir uma escada de pedras.

Henrique Antunes, Aluno do 11º SE3 desta Escola.



quinta-feira, 8 de junho de 2017

CONTRARIEDADES - Variação Criativa XX


Imagem daqui.




Acordei ao contrário,
Não foi muito mau,
Simplesmente acordei de barriga para baixo,
De olhos abertos,
E para me levantar ao contrário
Foi complicado,
Porque o seu contrário
É apenas ficar deitado.
Ali fiquei, a pensar
Que tinha de me levantar
Para ir estudar,
Mas depois pensei:
Se for ao contrário,
Então eu estou de férias.
Tive de ignorar essa ideia
Pois facilmente me levantava ao contrário
E faltava às férias ao oirártnoc!...

Miguel Jacinto, Aluno do 11º CT5 desta Escola.



quarta-feira, 7 de junho de 2017

EXPLICAÇÃO DO AMOR


Imagem daqui.




EXPLICAÇÃO DO AMOR

Quase impossível de explicar
É quando dou ao outro
Tudo o que posso dar
E já sem mais nada
Passo então a inventar
Pois há que acreditar


Longa jornada passada
Todos os caminhos me levam
Às eternas incertezas
Se elas me fazem sofrer
Levam-me também a crescer e...
Isto precisarei de aprender

Simão Guedes, Aluno do 11º CT5 desta Escola.



TORNEIO DE XADREZ DA ESJS


Vencedores do 14.º Torneio de Xadrez da ESJS 


     1.º João Lousada, 11.º CT1 

     2.º Afonso Ferreira, 11.º SE3

     3.º André Vale, 11.º CT1 


Parabéns! 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

PINTEI A DEDO AS ESTRELAS


Imagem daqui.




Pintei a dedo as estrelas
Com todos os mistérios do mundo
Em apenas um segundo.

Soprei galáxias, constelações,
Planetas, imensidões.
Tossi matemática em flores
Espirrei beleza a cores.

Encontro-me agora presa
Nas dores e nos desamores
Ó almas doentes, carentes,
Com tanta incompreensão,
Ainda o sentem, o coração?

Luana Resende, Aluna do 11º CT5 destas Escola.



segunda-feira, 29 de maio de 2017

ÁRABES E ISLÃO NA LITERATURA E NO PENSAMENTO PORTUGUÊS (1826-1935)


Imagem e todas as informações aqui.




"Mostra dedicada à presença árabe e islâmica na literatura e no pensamento portugueses (...). Através de uma organização cronológico-temática (...), apresentam-se textos, autores, movimentos e momentos em que a presença e a representação do Islão e da civilização islâmica, com especial foco no al-Andalus (711-1492), emergem na estética e na cultura literária e filosófica portuguesa. Entre os autores patentes na mostra, destacam-se Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Antero de Quental, Teófilo Braga, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Almada Negreiros."


Patente de 31 de maio a 1 de setembro de 2017, na Biblioteca Nacional de Portugal.



sexta-feira, 26 de maio de 2017

quarta-feira, 24 de maio de 2017

PERCEÇÃO CONSCIENTE


Erhard Jacoby.




«Este quadro (de Erhard Jacoby) ilustra o facto de que cada um de nós, conhecendo o mundo através da sua psique individual, conhece-o de maneira um pouco diferente das outras pessoas. O homem, a mulher e a criança estão olhando a mesma cena, mas para cada um deles os diferentes detalhes aparecem mais ou menos claros e mais ou menos escuros. Só através da nossa percepção consciente é que o mundo "lá de fora" existe: estamos cercados por algo completamente desconhecido e impenetrável (representado pelo segundo plano acinzentado do quadro).»

O Homem e os seus Símbolos, concepção e organização de Carl G. Jung, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 2002, p. 229.



segunda-feira, 22 de maio de 2017

POESIA DE LUÍSA CORDEIRO (19)



"Fado da Sereia"


Madrugada...
lua cheia,
canta o mar embalado
p'lo olhar de uma sereia
que deitada
sobre a areia
o deixou enfeitiçado.

Madrugada...
lua cheia,
canta o mar aprisionado
p'los cabelos da sereia
cor do luar prateado.

Lua cheia...
é madrugada
e o mar já está acordado,
o horizonte afogueado,
o luar desvaneceu,
e...
a sereia encantada
que num momento apareceu,
veio trazida p'las ondas
e entre elas...
se escondeu.
Luísa Cordeiro




O POETA É UM FIGURADOR


Imagem daqui.



IX

o poeta é um figurador, não
consta que fernando conhecesse varrão (de
ling. lat. 6, 78:
fictor cum dicit fingo figuram imponit)
e a paisagem de alma: uma convenção
retórica

porque a leitura do efémero transcende
suas minúcias próprias, (e ele)
se torna retórica

e a circunstância: um travelling
palíndromo, nestes desvios
a razão se
perde

Vasco Graça Moura, "recitativos", Poesia Reunida, vol. 1, Lisboa, Quetzal Editores, 2012, p. 159.





quinta-feira, 18 de maio de 2017

CURIE: UMA FAMÍLIA, CINCO PRÉMIOS NOBEL


No dia 26 de abril decorreu, na Biblioteca da Escola Secundária José Saramago – Mafra, a atividade Curie: uma família, cinco Prémios Nobel, dinamizada pelo Núcleo de Divulgação Científica da escola em parceria com a Biblioteca. Nesta data, a Química misturou-se com os livros.
Mais informação no Blogue do Núcleo de Divulgação Científica da Escola Secundária José Saramago-Mafra



O SILÊNCIO QUE ME AFAGA


Imagem daqui.



Sento-me e oiço
O silêncio
No vazio
Que me sufoca
Mas não me apercebo
Que me afaga
No próprio medo
Encurralado na dor
Não cedo
Abro os olhos
E é aí que me percebo
Aconteça o que acontecer
Não temo.

Miguel Jacinto, Aluno do 11º CT5 desta Escola.



FESTIVAL INTERNACIONAL DE ÓRGÃO DE MAFRA

quarta-feira, 17 de maio de 2017

SAN GABRIEL


Hevelius, Firmamentum (1690), daqui.




San Gabriel

                      (No quarto centenário do
                              Descobrimento da Índia)


Inutil! Calmaria. Já colheram
As vellas. As bandeiras socegaram,
Que tão altas nos topes tremularam,
- Gaivotas que a voar desfalleceram.

Pararam de remar! Emmudeceram!
(Velhos rithmos que as ondas embalaram).
Que cilada que os ventos nos armaram!
A que foi que tão longe nos trouxeram?

San Gabriel, archanjo tutelar,
Vem outra vez abençoar o mar.
Vem-nos guiar sobre a planície azul.

Vem-nos levar à conquista final
Da luz, do Bem, doce clarão irreal.
Olhae! Parece o Cruzeiro do Sul!

Camilo Pessanha


Agenda Camilo Pessanha (1867-2017) 2017, textos de Ana Paula Laborinho, ilustrações de Carlos Marreiros, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 2016.



segunda-feira, 15 de maio de 2017

POESIA DE LUÍSA CORDEIRO (18)


“Fado meu…”

Eu canto
o Fado que cobre
                                                    a nudez
da minha Alma,
é pura,
e sendo assim,
canto o Fado
 sem pecado,
e o Fado envolve-me
a mim.

Eu canto
o Fado que chora
quando eu
não posso chorar,
está comigo
a toda a hora,
a toda a hora
o quero cantar,
e no tanger
da guitarra
é que eu
me sei encontrar.

Eu canto
o Fado que chora
pr’a ninguém
me ver chorar,
o Fado
é a minha loucura,
é vício
que não me deixa,
faz a guitarra
chorar
sem se ouvir
uma queixa.
      
 Luísa Cordeiro