Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs

Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Escola Secundária José Saramago - Mafra

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

ANJAS DO NOSSO MUNDO


Imagem e informações detalhadas aqui.



Lançamento no dia 2 de novembro de 2015, pelas 18h00, no Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal.


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

DA SAUDADE XVI


Imagem daqui.



"Não se pode deixar de assinalar a importância desse complexo a que se chama «saudade», embora o portuguesismo desta palavra seja um lugar-comum que tem vários séculos. É improvável que se trate de um sentimento exclusivamente português; mas é certo que tem na nossa língua e na nossa literatura uma presença saliente e quase obsessiva.

O sentimento chamado saudade caracteriza-se pela sua duplicidade contraditória: é uma dor da ausência e um comprazimento da presença, pela memória. É um estar em dois tempos e em dois sítios ao mesmo tempo, que também pode ser interpretado como uma recusa a escolher: é um não querer assumir plenamente o presente e o não querer reconhecer o passado como pretérito. Do ponto de vista da atividade, é um acelerador combinado com um travão simultâneo, se é possível usar imagens mecânicas em matéria de tanta subtileza qualitativa. De qualquer forma, é um sentimento complexo, mesclado, doce-amargo, pouco propício à ação, e não deve ter contribuído pouco para que a personalidade portuguesa apareça a observadores estrangeiros como desnorteante e paradoxal.

A saudade está ligada ao apego que se criou aos sítios, aos tempos e às pessoas que ficaram distantes. E é muito característica do amor à portuguesa, que parece comprazer-se na distanciação. O amor é um tema extraordinariamente obsessivo na literatura portuguesa, desde os primeiros cancioneiros, prosseguindo quase sem descontinuidade até aos nossos dias, passando por Bernardim Ribeiro, Camões, Tomás António Gonzaga, Bocage, Garrett, Camilo, cujo Amor de Perdição, segundo Unamuno, é a «novela de paixão amorosa mais intensa e mais profunda que se escreveu na Península». É um dos principais temas da poesia popular. «Poucos países haverá que tenham tanta abundância de poesias amorosas como Portugal» (J. Leite de Vasconcelos, 1881)."

António José Saraiva, A Cultura em Portugal: Teoria e História, vol. I, Lisboa, Gradiva, 1994, pp. 83-84.



quarta-feira, 28 de outubro de 2015

MÊS INTERNACIONAL DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES 2015


video   


Leitura expressiva de textos em inglês e português, música, teatro e dança pelos alunos do 10.º AV1 e 11.º LH3.

A BE agradece aos professores Carlos Valentim, Ema da Silva e Maria Jorge Rodrigues o apoio na organização da atividade. 


CANTIGA DE AMIGO - VARIAÇÃO X


Imagem daqui.


Há 200 anos...


Há 200 anos levaste meu amigo
Há 200 anos ele anda desaparecido
Onde anda, eu não sei
Meu Deus, amigo, aqui fiquei

Há 200 anos levaste meu amado
Há 200 anos ele foi levado
Para onde foi, eu não sei
Meu Deus, amigo, aqui fiquei

Há 200 anos ele anda desaparecido
Há 200 anos perdi meu amigo
Onde está, eu não sei
Meu Deus, amigo, aqui fiquei

Há 200 anos ele foi levado
Há 200 anos perdi meu amado
Por onde andou, eu não sei
Meu Deus, amigo, aqui fiquei

Margarida Graça e Rodrigo Gonçalves, Alunos do 10º SE3 desta Escola.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

CANTIGA DE AMIGO - VARIAÇÃO IX


Imagem daqui.



Acorda agora, meu amigo,
Liberta-te do mal perdido.
Vem agora, vem amigo.

Acorda agora, meu amado,
Liberta-te do mal desperdiçado.
Vem agora, vem amigo.

Liberta-te do mal perdido
Que teima acabar contigo.
Vem agora, vem amigo.

Liberta-te do mal desperdiçado,
Volta logo para o meu lado.
Vem agora, vem amigo.

Rúben Tibúrcio e Telmo Pedro, Alunos do 10º CT8 desta Escola.



ALGURES NO MEIO DE NENHURES


Foto: Prof. Martinho Rangel

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

ENCONTRO COM O ESCRITOR RICHARD TOWERS


Richard Towers, autor do livro-objeto, realizará na ESJS sessões de apresentação dos seus livros nos dias 26 e 27 de outubro de 2015. 
Esta atividade integra-se na comemoração do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, a decorrer durante o mês de outubro.

CANTIGA DE AMIGO - VARIAÇÃO VIII


Imagem daqui.




Flores, flores do campo florido,
Que saudade tenho do meu amigo,
Ai Deus, como me enamorei!

Flores, flores do lindo prado,
Que saudades tenho do meu amado,
Ai Deus, como me enamorei!

Que saudades tenho do meu amigo,
Por quem meu coração foi seduzido,
Ai Deus, como me enamorei!

Que saudades tenho do meu amado,
Com quem meu coração ficou destroçado,
Ai Deus, como me enamorei!

Ana Simões e Cristiana Marquês, Alunas do 10º CT5 desta Escola.



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

CANTIGA DE AMIGO - VARIAÇÃO VII

Imagem daqui.


Por que fugiste, meu amigo

Por que fugiste, meu amigo,
E deixaste de estar comigo?
Que hei de fazer eu agora?

Por que fugiste, meu amado,
E deixaste meu coração desconcertado?
Que hei de fazer eu agora?

E deixaste de estar comigo,
Por que andas desaparecido?
Que hei de fazer eu agora?

E deixaste meu coração desconcertado
E meu amor por ti descontrolado.
Que hei de fazer eu agora?

Por que andas desaparecido?
E do meu amor andas fugido?
Que hei de fazer eu agora?

E meu amor por ti descontrolado
Não consegue ser acalmado.
Que hei de fazer eu agora?

Francisco Almeida e Lara Castilho, Alunos do 10º SE3 desta Escola.


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

FRANÇOIS TRUFFAUT II


Fanny Ardant e François Truffaut, durante a rodagem do filme La Femme d'à Côté (1981).
Imagem daqui.



Entendido tanto enquanto espaço como na sua aceção de expressão artística, o cinema foi para Truffaut a estrela polar que o conduziu desde a mocidade até ao fim dos seus dias. Enquanto não chegava o tempo de abraçar a Sétima Arte, para dar corpo aos medos e aos desejos que o assolavam e para enformar as ideias que havia defendido enquanto crítico de cinema, desfrutou dos espaços sacratíssimos que eram as salas escuras onde podia assistir uma e outra vez aos filmes que o arrebatavam; eles eram o seu alimento e a sua religião.

Atualmente, quem visionar a obra completa de Truffaut aperceber-se-á da presença de um leitmotiv, um motivo recorrente, que a atravessa: a vida, apresentada na sua polaridade de amor e de morte. Se Les Quatre Cents Coups é um filme centrado na problemática da infância, tal como L’Enfant sauvage, L’Argent de poche ou a curta-metragem Les Mistons, mostrando o realizador uma terna sensibilidade para com as crianças e o seu mundo, a tensão amor/ morte, nas suas variações de morrer de amores por alguém ou morrer por amor, está presente na configuração das questões atinentes ao universo feminino. Da mulher é traçado um retrato de um ser poderoso, se não mesmo fatal, dotado de uma força anímica que se sobrepõe à dos homens com os quais se relaciona. É o caso de La Peau Douce, La Mariée était en noir ou La Femme d’à côté, cujas protagonistas atingiram uma estação tão morbidamente exacerbada da paixão que apenas a morte as pode satisfazer. Aqui a morte é o desfecho natural do amor. Mas é a protagonista de Vivement dimanche que Truffaut, reverenciando as mulheres, dotou de uma inteligência superior à das figuras masculinas e de um flair detetivesco que não hesita em pedir meças aos profissionais da polícia. Aquela que no início do filme parecia poder ir pouco mais além de um papel secundário, não só resolve o mistério que dá corpo à intriga como manipula, com arte e sabedoria, o homem que ama com o intento de o salvar, acabando por conseguir essa façanha.

Ao topos do feminino e ao seu constante engrandecimento – elas são inteligentes e belas, quando não mesmo poderosas e fatais – não é indiferente a influência que as mulheres tiveram junto do realizador, para o bem e para o mal, e o fascínio que nele exerceram. Este é um domínio do seu trabalho estreitamente relacionado com a vida que viveu, por isso se pode dizer que Truffaut-cineasta, antes de nele se distinguir o realizador, é o homem mais as circunstâncias que rodearam a sua existência.

Embora prezasse as relações de amizade, tendo-as cultivado ao longo da vida junto de várias mulheres, Truffaut apaixonou-se com frequência pelas atrizes que escolhia para encarnarem as personagens principais nos seus filmes. Desta procura da beleza e do amor (Marsilio Ficino, 1433-1499, asseverava que "Quando noi diciamo amore, intendete desiderio di bellezza", na sua obra El Libro dell'Amore), numa tentativa de afastar a solidão que o havia perfilhado ainda menino, não estaria ausente nem a figura da Mãe, mulher bela e sedutora, nem a relação entre ambos, feita de desprezo e de ódio. Numa vida cuja entrada foi franqueada a tantas mulheres, numa tentativa, doce e inocente, de encontrar a figura da Mãe ideal, que não teve, Truffaut  inequivocamente sobrepôs o princípio do prazer ao princípio da realidade.

Como se o cineasta estivesse persuadido da impossibilidade de conquistar o amor absoluto ou, entendido de uma outra perspetiva, de alcançar o amor incondicional, o mesmo sentimento amoroso manifesta-se na sua obra com um quê de agridoce, ao qual se junta um travo a puxar para o amargo – o fel da morte que ora se insinua ora se revela nos finais de algumas das suas histórias, pondo-lhes um termo. Em L’Homme qui aimait les femmes é precisamente a circunstância de amar as mulheres, e a volúpia que retira ao contemplá-las, que arrasta o protagonista para a morte. No caso de Adèle H., história que se salda pela derrota do amor em todas as batalhas travadas pela protagonista que dá nome ao filme, não é da morte física que se trata – na verdade, a protagonista não desaparece, nem tão-pouco morre o ser que ela ama - , mas do apagamento desta figura feminina para o amor e, consequentemente, para a vida, permanecendo encarcerada ora na agonia do desvario ora numa espécie de torpor que dita a morte lenta, sem apelo. O amor seria assim a metáfora da fragilidade da vida humana, da impossibilidade de vencer a morte - aqui eros não foi mais forte que thanatos.


CANTIGA DE AMIGO - VARIAÇÃO VI


Imagem daqui.



Uma Cantiga de Amigo com um colorido tropical...



Cadê você, meu namorado?
Eu sei que você andou de bobagem,
Cadê?

Cadê você, meu desgraçado?
Eu sei que você andou na vadiagem,
Cadê?

Eu sei que você andou de bobagem?
Não volte para casa, não.
Cadê?

Eu sei que andou na vadiagem
E partiu meu coração.
Cadê?

Afonso Ferreira e Diana Freire, Alunos do 10º SE3 desta Escola.



terça-feira, 20 de outubro de 2015

FRANÇOIS TRUFFAUT I


Recolha de entrevistas de F. Truffaut a A. Hitchcock (1966).
Hitchcock/ Truffaut, com a colaboração de Helen Scott, edição definitiva, Paris, Éditions Gallimard, 2014.





J’espère que vous garderez longtemps cette gravité du regard et cette façon simple
et un peu malheureuse de vous exprimer.
Jean Genet, dedicatória a F. Truffaut escrita no Journal d’un voleur


A dedicatória que François Truffaut forjou para o livro Hitchcock/ Truffaut, onde reúne a monumental entrevista que fez ao mestre do suspense em 1966, em Hollywood, coadjuvado pela sua amiga americana Helen Scott, e ao qual chamou hitchbook, fazendo jus ao lado criativo e espirituoso que o assistia (um traço de caráter comum aos dois realizadores), reza assim: “Alfred Hitchcok a fait 53 films et une fille. Je dédie ce livre à Patricia Hitchcock O’Connell”, segue-se a assinatura e a data – outubro de 1983. Parafraseando Truffaut, poder-se-ia dizer que, no seu caso, fez 21 longas-metragens, num universo de 26 filmes, e três filhas – Laura, Eva e Joséphine. Hitchcock viveu 81 anos (1899-1980); Truffaut viveu apenas 52, tendo, enquanto realizador, trabalhado durante 29, de 1954 a 1983. Desapareceu no dia 21 de outubro de 1984, um domingo, dia em que, como diz a canção de Charles Trenet, no filme L’argent de poche (1976), “les enfants s’ennuient”.

Se Alfred Hitchcock e o seu cinema influíram decisivamente na arte de François Truffaut, nomeadamente no que diz respeito ao poder da imagem, ao protagonismo concedido às mulheres e a um certo tratamento humorístico mesclado de ironia, outras ascendências benéficas existiram, algumas delas desde a primeira infância. É o caso daquela sobrevinda da sua avó materna, Geneviève de Monferrand, professora, apreciadora da cultura e dos livros, e leitora compulsiva, com quem viveu dos três até cerca dos dez anos de idade. Terá sido através dela que Truffaut desenvolveu o gosto pelas letras, tendo, mais tarde, já a viver com a mãe e o padrasto, sentido a necessidade de se embrenhar em universos ficcionais que lhe permitissem evadir-se de um mundo que não via como seu e onde se sentia solitário e indesejado. Este amor pela literatura, e em especial por Balzac, mesmo já depois de ter enveredado pela carreira de cineasta, nunca se desvaneceu. Pelo contrário, por vezes, é aos livros que recorre para lhes dar uma roupagem fílmica (caso de Jules et Jim e de Les Deux Anglaises et le continent, inspirados nas obras de Henri-Pierre Roché, ou de Fahrenheit 451, adaptação de um romance de Ray Bradbury, ou La Chambre verte, fruto da inspiração colhida na obra L’Autel des morts, de Henry James, ou ainda Vivement dimanche, realizado a partir da obra de Charles Williams, The Long Saturday Night). Os livros, enquanto objetos, ocupam também um lugar central na obra de Truffaut – impõem-se como adereços que acompanham as personagens, ajudando a desenhá-las, como se verifica na saga Antoine Doinel, em Jules et Jim, em Adéle H., em La Peau douce, ou no caso da personagem Bertrand Morane, não só dono de uma considerável coleção de livros, como também escritor-amador que chega a publicar. O amor pela literatura revelava-se em Truffaut também através da escrita e das amizades que fez com grandes nomes das letras do seu tempo. Era um homem que retirava prazer da escrita e, de entre os livros que assinou, a Correspondance é amiúde elogiada.

Frequentador assíduo das salas de cinema enquanto adolescente, Truffaut, que afirmava conhecer Citizen Kane de cor, tinha em Orson Welles um novo modelo de cineasta, com quem partilhava o gosto pela fragmentação narrativa e pela música como recurso diegético. Jean Renoir terá sido outra das figuras tutelares para Truffaut. Tanto o admirava que, em homenagem ao cineasta e ao seu filme Le Carosse d’Or, chamou à sua produtora, criada em 1958 com a ajuda de Marcel Berbert e de Ignace Morgenstern, Les Films du Carrosse. De Renoir, a importância dada às personagens e a vontade de mostrar realisticamente, fazendo apelo ao olhar atento do espectador, a par da ideia de que o extraordinário reside naquilo que o comum tem de mais profundo. Também Roberto Rossellini, realizador de quem Truffaut foi assistente entre 1955 e 1957 e a quem chamava mon père italien, fazia parte da sua galeria de figuras-referência. Com estes homens, Truffaut aprendeu a fazer cinema.

É, todavia, André Bazin, teórico de cinema e diretor dos Cahiers du Cinéma, revista onde acolhe o jovem François e onde o ensina a falar da Sétima Arte, orientando-o e levando-o a colaborar nesta publicação, aquele que encabeça a lista dos pais espirituais de Truffaut. Nos seus contributos para os Cahiers du Cinéma, o crítico/ redator en herbe teve o ensejo de revelar a sua admiração pelos realizadores americanos e de fazer análises e comentários acerbos ao trabalho dos mais conhecidos cineastas franceses do momento, como Claude Autant-Lara, Jean Delannoy, René Clément e Yves Allegret, intitulando-se o seu mais polémico artigo, publicado em 1954, «Une certaine tendance du cinéma français». Neste texto controverso, reclama o estatuto de autor da obra cinematográfica para o realizador, inaugurando desta forma o movimento artístico a que se chamou Nouvelle Vague e que viria a revolucionar a maneira de fazer cinema.

Esta fase foi precedida por um período difícil para Truffaut, marcado pela passagem pela prisão militar, na Alemanha, após uma deserção. Em plena crise existencial, François Truffaut procurou a morte. Foi salvo pela amizade de André Bazin e de Jean Genet, cujas cartas o iam ajudando a sobreviver, dando-lhe ânimo e esperança numa nova vida. Resistiu e venceu. Depois de ter procurado a morte, Truffaut começou desesperadamente a procurar  o amor. 


CANTIGA DE AMIGO - VARIAÇÃO V


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Ó pinheiro do longo inverno
onde está meu amor eterno
Que há tanto tempo se foi.

Ó pinheiro da primavera
do meu amigo estou à espera
Que há tanto tempo se foi.

Onde está meu amor eterno
Pelo qual meu coração governo
Que há tanto tempo se foi.

Do meu amigo estou à espera
Pois minha saudade é sincera
Que há tanto tempo se foi.

André Queijeira e Ricardo Gomes, Alunos do 10º CT8 desta Escola.


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

MANUEL ANTÓNIO PINA - A MÚSICA


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[Canção]


A música tem olhos fulgurantes
movendo-se à volta do fogo.
Se és visto por eles tornas-te canto,
tu que és, como tudo é, canto.

Afasta-te do coração,
a tua vida canta sob a música,
não acordes a mortal infância,
foge do que sabes, porque não o sabes.

Talvez sejas apenas o sonho
de um deus não mais desperto que tu.
Ouve-o dentro de ti, ao deus,
cantando luminosamente à tua volta.


Manuel António Pina, Todas as Palavras – poesia reunida (1974-2011), Porto, Porto Editora e Assírio & Alvim, 2015, p. 126.



CANTIGA DE AMIGO - VARIAÇÃO IV


Vincent Van Gogh, La nuit étoilée.
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Estrelas do céu brilhante,
Por onde caminha meu amigo,
Por onde anda escondido?

Estrelas do céu cintilante,
Por onde caminha meu amado,
Por onde anda escondido?

Por onde caminha meu amigo,
De pé, descalço e sem abrigo,
Por onde anda escondido?

Por onde caminha meu amado,
Com frio e de coração destroçado,
Por onde anda escondido?

Beatriz Lages, Márcia Matias, Pedro Cordeiro, Alunos do 10º CT8 desta Escola.


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

ASTRONOMIA, de MÁRIO CLÁUDIO


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"Uma das seduções deste livro é a evocação de palavras e expressões que caíram em desuso, como «está choquinha» aplicado a uma grávida, ou a interjeição «bumba», ou ainda esconjuros tão pitorescos como esse que o protagonista do livro ouve a uma criada: «Vade retro, Satanás, para as pedras cagadeiras!". Há nisso um intuito de defesa do património linguístico? Estou também a pensar nos vários momentos em que o protagonista do livro vai procurar definições ao dicionário.

Há, e assumo-o. Se me perguntarem se acredito na literatura como missão, direi redondamente que não, mas nesse plano acho que tenho o dever, como escritor, de tentar preservar todas as teclas da língua portuguesa. Se existem, é para serem usadas, não podem é ser usadas a torto e a direito."

Excerto da entrevista de Luís Miguel Queirós a Mário Cláudio, jornal Público online, 16/ 10/ 2015, a propósito da publicação de Astronomia, o mais recente livro do escritor.



CANTIGA DE AMIGO - VARIAÇÃO III


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Ó areal, ó areal delicado
Onde está meu cordial amado
Ai Deus!

Ó areal, ó delicado areal
Onde está meu amado cordial
Ai Deus!

Onde está meu cordial amado
Que me dá significado
Ai Deus!

Onde está meu amado cordial
Que no meu coração é crucial
Ai Deus!

Aluno do 10º ano desta Escola.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

FÓLIO - FESTIVAL INTERNACIONAL DE LITERATURA DE ÓBIDOS

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A vila de Óbidos organiza este ano, de 15 a 26 de outubro, a primeira edição do Fólio - Festival Internacional de Literatura de Óbidos. A literatura dos países de expressão portuguesa será o fio condutor do evento.



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

CANTIGA DE AMIGO - VARIAÇÃO II


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Meu Deus, meu Deus, que andais fugido,
Por que levaste meu outro sentido,
       Por que razão o fizeste?


Meu Deus, meu Deus, que o tens observado,
Por que levaste meu namorado,
       Por que razão o fizeste?


Por que levaste meu outro sentido,
Aquele que é meu porto de abrigo,
       Por que razão o fizeste?


Por que levaste meu namorado,
Aquele que é meu segredo,
       Por que razão o fizeste?


Irina Pedroso, Ricardo Figueiredo, Alunos do 10º CT5 desta Escola.



GEORGE STEINER


George Steiner e a mulher, em casa, em Cambridge.
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"(...) Já há 60, 70 anos que os jovens não leem. Lembre-se que os jovens já não leem livros, leem sms, livros de BD, resumos no Kindle: o Hamlet em 25 palavras, o Lear em 50 palavras… Os jovens estão impacientes, estão zangados, muito zangados, com uma civilização, uma sociedade, que não lhes está a dar a esperança socioeconómica de que necessitam para a vida. Para ler, realmente ler, ler seriamente, tem de haver determinadas condições. Deixem-me por favor refletir sobre isto e não cortem esta parte da entrevista. Para ler seriamente: a) É preciso silêncio. Não ponha música, tire o rádio e a televisão do quarto. Tem de saber viver, e conviver, com o silêncio. Cada vez menos jovens querem viver com o silêncio. Na realidade, têm-lhe medo. O silêncio tornou-se, de resto, muito caro. Uma casa como esta, com um jardim sossegado, é uma exorbitância para um casal jovem, que vai possivelmente viver para um prédio com paredes tão finas que é possível ouvir tudo! Vivemos num inferno de ruído constante. b) Tem de estar preparado para – e não ria de mim – saber excertos de cor. Aquilo que amamos, devemo-lo saber de cor. Não é por acaso que ‘coração’ em Latim é cor. Ninguém nunca nos pode tirar o que sabemos de cor. Deixem-me frisar. Saber, saborear, de cor, com o coração, não com a cabeça. Queremos sempre levar connosco o que amamos. Eu sou muito velho, mas tento todos os dias, ou quase todos, aprender um poema ou fragmentos de um poema de cor, porque é assim que se agradece uma bela obra. Que outra maneira tenho eu de agradecer a Dante, a Cervantes, a Lope de Vega ou a Shakespeare? A partir do momento em que sabemos um poema de cor, algumas poucas linhas, ele começa a viver dentro de nós. c) Precisa de ter alguma, considerável, privacidade. Esta última condição é tremenda, provavelmente a mais difícil, em especial para os jovens de hoje. Atualmente, a privacidade é o inimigo n.º 1 de todo o jovem. Não só se confessa tudo a toda a gente, como é imperativo que o faça imediatamente. Ninguém guarda a experiência, qualquer que ela seja, só para si. Então, três condições: silêncio, aprender de cor e privacidade. De outra forma, é impossível viver uma grande obra. Até porque as grandes obras são, geralmente, muito difíceis, exigentes. Querem algo de nós. Leem-nos. Leem-nos mais do que nós as lemos. Descobrem coisas sobre nós: se nos conseguimos concentrar, se estamos preparados para trabalhar no sentido de as percebermos realmente, etc. Tenho sempre um dicionário aberto na minha secretária. Os mais novos não usam dicionário. Empregam um vocabulário mínimo nas sms que enviam. Shakespeare usava 24 000 palavras. Num estudo muito recente, pela companhia telefónica americana Bell, o total de palavras usadas por 90%, notem: 90%, dos americanos ao telefone é de 150 palavras. Estão a ver? É isto que me assusta. Ora, o problema do colapso económico, da provável redução dos nossos luxos, pode ter consequências muito boas. Quando as coisas estão mal, muito mal, as pessoas começam a ler com seriedade, a ler melhor. Ouve-se mais e melhor música, por exemplo. Temos magníficas salas de concertos por toda a Inglaterra, não apenas aqui em Londres, mas em Birmingham, Manchester, Newcastle, e essas salas enchem-se por estes dias. Os mais novos começam a procurar a música clássica. Os nossos museus enchem-se também. Tem de se esperar horas na fila para entrar nas grandes exposições, em Londres, em Paris… Horas! Tem de se fazer reservas com muita antecedência para a exposição do Monet, do Gauguin, do Picasso… E isto é novo. Antigamente, os jovens não queriam ir aos museus; começam agora a fazê-lo. É difícil estar demasiado confiante, mas sintomas como estes são muito interessantes e devemo-los ter em conta. Os jovens começam a ter fome de algo mais substancial do que a pastilha elástica momentânea da pop. (...)" 

“Entrevista internacional – George Steiner”, entrevistado por Béata Cieszynska e José Eduardo Franco, in Revista Letras com Vida – Literatura, Cultura e Arte, nº 3, 1º semestre, 2011, Lisboa, Gradiva Publicações e CLEPUL, p.12.


terça-feira, 13 de outubro de 2015

CANTIGA DE AMIGO - VARIAÇÃO I


Imagem daqui.



Tenho saudades dele, do meu amigo.
       O meu coração está partido.
       Onde é que ele andará?

Tenho saudades dele, do meu namorado.
       O meu coração está despedaçado.
       Onde é que ele andará?

 O meu coração está partido.
       E com tristeza digo:
       Onde é que ele andará?

 O meu coração está despedaçado.
       E com tristeza tenho pensado:
       Onde é que ele andará?

Ana Anacleto, José Jorge e Tiago Alves, Alunos do 10º CT5 desta Escola.



segunda-feira, 12 de outubro de 2015

DA CONCISÃO LX


Azulejos de fachadas do Porto.
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"Uma lista dos defeitos dos portugueses devia levar o político inteligente a elaborar projecto de sociedade em que eles passassem apenas a ser características, ou quem sabe se qualidades - Cortina 1."

Agostinho da Silva - Uma Antologia, organização e apresentação Paulo Borges, Lisboa, Âncora Editora, 2006, p. 228.


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

CONFERÊNCIA: BOCAGE E O ORIENTE


Painel de azulejos de Louro de Almeida e Rogério Chora (1979), na entrada do Centro Comercial Bonfim, Setúbal.
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A conferência O Orientalismo em Bocage será proferida por Ana Margarida Chora, no dia 13 de outubro de 2015, no Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal, pelas 18h30.

Pode ler-se no sítio da BNP:

"O século XVIII introduz na literatura europeia um interesse sem precedentes pelo Oriente, o qual, observado no período neoclássico, vem a desenvolver-se a partir da estética pré-romântica. Bocage não foge a esta tendência literária, tendo contemplado referências orientais significativas na sua poesia, ainda que de forma dispersa.

Conciliando um Oriente imaginado, veiculado quer através de mitos quer da História, com um Oriente vivido pela sua própria experiência, a poesia de Bocage fornece elementos que permitem considerá-lo, para além de tantas outras facetas, também um orientalista, precursor de um movimento estético muito mais vasto que irá ter o seu apogeu no século seguinte."


A PALAVRA AO ALUNO III


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A importância do karaté


Karaté. A arte marcial mais praticada em todo o mundo. Apesar de ser uma arte que tem como base a luta pessoal, obedecendo a regras determinadas, para quem gosta e para quem incorpora o espírito do karaté (ou kimé, em japonês), a sua prática consegue produzir efeitos fenomenais, principalmente no que toca à alma do karateka.
Cada um fala da sua experiência, portanto é o que vou fazer, tentando criar argumentos que convençam as pessoas a praticar esta arte.
Antes de me ter tornado num karateka, nunca tinha encontrado algo que me permitisse descarregar toda a mágoa, raiva, frustração, tristeza, todos esses sentimentos que empurram as pessoas para um poço sem fundo. Se uma pessoa não encontrar algo que permita um alívio do lado negro que esses sentimentos provocam, nunca conseguirá levantar-se, olhar para a vida olhos nos olhos, e nunca logrará sair do poço que ameaça a sua vida. Eu passei demasiado tempo à procura da solução até que, finalmente, fui assistir a um treino de karaté. O sensei (professor da arte marcial) perguntou-me se eu queria experimentar. “Por que não?”, pensei eu. Visto que sou fã, não tinha razões para não experimentar. Comecei nesse treino, em Agosto de 2013, e, apesar de ainda ter passado pouco tempo, já não imagino a minha vida sem karaté. Em cada treino dou tudo o que tenho e mais um bocado e a verdade é que sinto que esses sentimentos negros desaparecem. Para mim é o antidepressivo mais eficaz. E tenho a certeza que não o único.
Falando diretamente para as pessoas com depressão, se vocês, tal como eu, sentem que consultas regulares na psicóloga e/ou psiquiatra e antidepressivos não são o suficiente, não desistam da procura da solução, pois isso seria desistir da vida e vocês não merecem pôr já um fim a isso. O suicídio pode ser algo de que nunca nos iremos arrepender, mas é um erro. E acreditem em mim, não sofrem após mas, se chegam a esse ponto, é porque têm demasiado sofrimento acumulado. Se pensar em vocês não é suficiente, pensem nas vossas famílias, amigos, tudo o que é importante na vossa vida. Isso tem de ter um grande peso nela e deve ser suficiente para não vos deixar desistir de procurarem a solução.

Eu sei que o que me ajudou pode não ter o mesmo efeito em vós, mas tentar não custa. Quem sabe, até pode ter os mesmos efeitos em vocês e, se tal não acontecer, pode ajudar-vos a encontrar a vossa cura. A depressão é terrível, sim, dá-nos vontade de desistir de tudo, sim; mas é eterna? Não. Espero, do fundo do coração, que este texto vos tenha ajudado, mas só vos peço uma coisa: não desistam da procura, não desistam da vida.

Frederico Saeed, aluno da Turma 12º CT1 desta Escola.


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

DA CONCISÃO LIX

Imagem daqui.


"Se houvesse um verbo com o significado de acreditar falsamente, não teria a primeira pessoa do presente do indicativo. (IF II, x, 6b)"


                                            Ludwig Wittgenstein, Últimos Escritos sobre a Filosofia da Psicologia, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2007, p. 80.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

SUGESTÃO DE LEITURA (37)


MAR SONORO
       
         Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
         A tua beleza aumenta quando estamos sós
         É tão fundo intimamente a tua voz  
         Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
         Que momentos há em que eu suponho
         Seres um milagre criado só para mim.          

Sophia de Mello Breyner Andresen


ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Obra Poética: Dia do Mar. Alfragide: Editorial Caminho. 2009. 6.ª ed. 101p. ISBN 978-972-21-1586-5 

O livro está disponível na BE.


ORPHEU CONTINUA...


Imagem e informações detalhadas, incluindo programa, aqui.



Numa iniciativa da Cátedra Jorge de Sena da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com o apoio do Instituto Camões , I. P. e da Embaixada de Portugal no Brasil, realizar-se-á, de 13 a 16 de outubro de 2015, o congresso internacional "Há 100 anos Orpheu canta para Cleonice", por ocasião do centenário da revista Orpheu e no ano em que Cleonice Berardinelli, Professora e grande especialista da obra de Fernando Pessoa, festeja os seus 99 anos.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

OUTUBRO: MÊS INTERNACIONAL DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES 2015



O lema para este ano é "A biblioteca escolar é super!"


À semelhança de anos anteriores, a Biblioteca da ESJS convida os alunos, professores e funcionários a participar em Encontros de Leitura.

Para este ano, a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) propõe dois desafios: "Toca a Tweetar" e "Celebrando o MIBE". Mais informações aqui.

 

DA CONCISÃO LVII


Imagem daqui.



"A lucidez só deve chegar ao limiar da alma. Nas próprias antecâmaras do sentimento é proibido ser explícito."


Fernando Pessoa, "Para Orpheu - Sentir é Criar", in Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho, Lisboa, Editora Ática, 1966, p. 266.



sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A PALAVRA AO ALUNO II


Nó infinito tibetano. Imagem daqui.



Ainda falta inventar a eternidade.

Miguel Broes, aluno do 10º SE3 desta Escola.



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A PALAVRA AO ALUNO I


Imagem daqui.


Sugeria à Professora que tivesse paciência comigo. Sou muito distraído. Estou sempre em todas as salas de aula menos na minha.

Gabriel Outeiro, Aluno do 10º CT4 desta Escola.