Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs

Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Escola Secundária José Saramago - Mafra

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO DE 2011!


RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL!

Natività - Sutri, Mitreo (Igreja de Madonna del Parto)


NATAL

Fiel das horas mortas

Desta noite comprida,

Pergunto a cada sombra recolhida

Que sol figura o lume

Que da lareira negra me sorri:

O do calor cristão?

O do calor pagão?

Ou a fogueira é só a combustão

Da lenha que acendi?


Presépios, solstícios, divindades...

A versátil natureza

Do homem, senhor de tudo!

Cria mitos,

Destrói mitos,

Nega os milagres que fez

E depois, desesperado,

Procura o mundo sagrado

Nas cinzas da lucidez.


Miguel Torga, São Martinho da Anta, 24 de Dezembro de 1972

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

FORMANDOS LERAM POEMAS DE NATAL NA BE

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Acompanhados pela formadora Inês Jerónimo, formandos de CLC escolheram para leitura poemas propostos pela Biblioteca Escolar.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

POESIA DE MARIA LUÍSA PINTO (1)

Mafra, 16 / 12 / 2009

JESUS NASCEU

Porque Deus o mundo amou
o Seu Filho Ele deu.
Uma virgem escolheu
que se chamava Maria.
E a partir daquele dia
em que o anjo lhe falou
algo aconteceu.
Maria creu e aceitou,
o Filho de Deus encarnou
e de seu ventre nasceu.
Alegre ela agradeceu
a Deus seu Salvador
o tê-la escolhido
para mãe de seu Senhor!
Como se sentia honrada
a que fora agraciada
ser mãe do filho de Deus!
Rejubilava de alegria
a virgem de Nazaré
que se chamava Maria.
Agora esperança havia
para toda a humanidade.
Dela o menino nascia
que iria salvar a todos
quantos Nele cressem de verdade.
Dos pecados e maldade
havia agora o perdão
por Jesus, o Salvador
que nos deu todo o Amor.
E com Ele, a vida Eterna
também nos foi oferecida
porque Ele é a Vida!
 de M. L.


Mafra, Dezembro, 2007

É NATAL

A noite era escura
os pastores vigiavam.
Os rebanhos no campo
tranquilos, descansavam,
quando a Glória de Deus
a noite iluminou.
Os pastores temeram
e um anjo falou:
Não temais
Trago boas novas
para a humanidade.
Hoje, na cidade
de David, em Belém
vos nasceu o Salvador
que é Cristo o Senhor.
E um coro de anjos
ecoou nos céus
com seus louvores
glorificando a Deus.
Logo os pastores
foram a Belém.
Encontraram o Menino
com sua Mãe,
envolto em panos,
numa manjedoura,
como o anjo lhes dissera.
Não havia dúvidas.
Aquele era o Rei,
o Rei d' Israel
que há muito esperavam.
O Salvador do mundo
de Quem os profetas
tanto falaram.
E ao coro dos anjos
sua voz juntaram
e em seus corações
alegres cantaram:
Glória ao Senhor
NASCEU O SALVADOR!
de M. L.


Poemas escritos por Maria Luísa Pinto, formanda do 357 que está a frequentar a formação de CLC no grupo EFA SAG. É uma septuagenária cheia de vida e vontade de saber. Muito empenhada, a idade não lhe tirou a vontade de evoluir e muito menos a sua capacidade de escrita, que ela cultiva com toda a motivação, expressando-se quer em verso quer em prosa.
Parabéns Maria Luísa e continue!
Texto de Inês Jerónimo, formadora de CLC 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

MONTRA DE LIVROS (2)



Mais aquisições recentes no âmbito do projecto novasoportunidades@biblioteca.esjs, com o apoio integral da Fundação Calouste Gulbenkian.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL


Fotografias do professor Martinho Rangel

A Biblioteca da ESJS deseja a todos um Feliz Natal repleto de leituras.

LEITURAS DE NATAL

Fotografia do professor Martinho Rangel 



NATAL NA BIBLIOTECA

Fotografia do professor Martinho Rangel
  

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

ARTE NA BIBLIOTECA (3)


Expressão Plástica
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Trabalhos realizados pelos alunos do 10.º Q1 do Curso Profissional de Técnico de Apoio à Infância, sob orientação do professor Bruno Côrte Fernandes.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

DIGA-NOS O QUE ANDA A LER

Escreva o título do livro que anda a ler no mural da Biblioteca Escolar.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

MONTRA DE LIVROS (1)



Aquisições recentes no âmbito do projecto novasoportunidades@biblioteca.esjs, com o apoio integral da Fundação Calouste Gulbenkian.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

FORMANDOS DA TURMA B3 B VOLTARAM À BIBLIOTECA EM CONTEXTO DE SALA DE AULA

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Os formandos da turma B3 B tiveram mais uma sessão de formação de área de Linguagem e Comunicação na BE. Desta vez apresentaram oralmente aos colegas o resultado de pesquisas efectuadas, nomeadamente os dados bio-bibliográficos de um autor à sua escolha, complementados com a leitura de excertos de uma obra desse mesmo autor.
Texto de Ester Campos, formadora de Linguagem e Comunicação

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

NATAL, E NÃO DEZEMBRO

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira, in Cancioneiro de Natal, Lisboa, Edições Rolim, 1986.

SUGESTÃO DE LEITURA (3)

Livro disponível na Biblioteca Escolar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

POESIA DE FÁTIMA LOPES

O meu corpo é alentejano.
O meu coração é Angolano.
A minha alma é sem dono.
Este é meu eu.

Chamo-me Fátima Lopes, sou formanda dos cursos EFA de nível secundário, em regime nocturno, na Escola Secundária José Saramago, em Mafra e resido na Ericeira.
Não me considero poeta nem escritora, só uma brincalhona, brinco com as palavras, limito-me a debitá-las no papel, eis aqui os meus "escritos".

Fingir

Não sou poeta,
Todos o dizem.
Só dou a volta
À mensagem.
São palavras,
Soltas como solas.
De sapatos roídos.
De tão puídos.
Só de amor
Consigo falar.
Receber de dor,
Consigo voltar.
Presa num corpo,
Grande, disforme.
Como um campo,
De jogo demente.
Finjo que escrevo
Sem nada dizer.
De palavras encravo,
O meu escrever.
Sem escrever
O que sinto.
Nem dizer
O que conto.
Sem contar o sentido
Do que sinto.
No espaço contido
Pelo lápis preto.
Na folha branca.
Que espera por mim.
De esperança branca.
Feita por mim.
Escrevo meu ser,
Ou o que penso dele.
Aponto meu viver,
Ou o que sinto por ele.

Meu triste ser 

Triste estou em meu viver.
Em prisão de pau-preto.
Enredada no meu ser.
Cativa no meu trajecto.
Sem rumo, nem caminho.
Cativa num cativeiro.
Grades de falso carinho.
Amor feito de dinheiro.
De gosto feito desgosto.
Ilusão doce desfeita.
Degredo feito de pranto.
Incrédula alma preta.
Sem porta de saída ao ver.
Presa estou em meu viver.
Oh! Triste eu, meu triste ser.
Triste estou em meu viver.

Por um dia espero

Não posso
Não devo,
Não quero!
Mas desejo...
Desejo ardente incontido.
Desejo que queima,
Que arde por ti em espera desesperada.
Por um dia olhares e desejares,
Sem pestanejos nem dúvidas,
Só um murmúrio incontido,
Por ti, desespero e espero.
De espera incontida
Por um dia espero.

Voa

Voa para longe alazão.
Voa na liberdade alazão.
Voa nas asas do vento.
Voa depressa o pensamento.
Voa na força do desejo.
Voa para lá do Tejo.
Voa sem amarras.
Voa sem algazarras.
Voa sem grilhetas.
Voa sem desditas.
Voa bem depressa.
Voa que tenho pressa.
Voa ao País dos sonhos.
Voa nos meus sonhos.
Voa que estou acordada.
Voa que estou enfadada.

Amar

A mim, tu vieste sem amar.
Foi meus olhos! Grandes de mar.
Em meu alvo leito deitaste.
Sem sentimento, por mim vieste.
Em teus braços me tomaste.
Tanto amar tu me disseste.
De tão pura nudez vestida.
De tão pura nudez despida.
Nas ondas grandes do mar, talvez...
Tu disseste amar minha nudez.
Amor que depressa esmorou.
Engano suave engano.
Ilusão triste de engano.
Foram nas grandes ondas do mar.

Onde estás?

Enlevo doce, sereno almejo.
Tanto vasculhar, sem vasculho.
No novelo do coração vermelho.
Insana busca, busco cheia de pejo.
Onde estás meu doce enlevo?
Que não chegas a mim, teu bafo,
Num quente e morno abafo.
Para meu corpo enleares no teu abafo?
Aquando nos braços do esquecimento.
Mais anseio, por ti, por teu enleio.
Que vejo, sem sentir, teu encanto cheio.
Só nas brumas do pensamento.
Escondida, de vergonha imposta.
Por ti espero nos braços de Morfeu.
Ávido, sereno, irreconhecível está meu eu,
Que para ti, meu enlevo, aberta está a porta.
Mas ... meu doce enlevo,
Que tanto procuro sem nada procurar.
Que tanto espero sem nada esperar.
Onde estás meu doce enlevo?
      

terça-feira, 30 de novembro de 2010

ENTRE O SONO E O SONHO


Entre o sono e o sonho
Entre mim e o que em mim 
É o quem eu me suponho 
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim 
Dorme  onde o rio corre -
Esse rio sem fim.


Recordando Fernando Pessoa 75 anos após a sua morte.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

FESTIVAL BIBLIOFILMES



O Festival Bibliofilmes é um concurso de vídeos/filmes sobre livros e bibliotecas.
Este concurso está aberto até 15 de Abril de 2011 e conta com o apoio do Plano Nacional de Leitura.

Consulte o regulamento e participe!

Para saber mais:
http://www.bibliofilmes.com/

CONCURSO NACIONAL DE LEITURA


Concurso Nacional de Leitura para alunos do 3.º Ciclo e do Ensino Secundário

1.ª Fase -  a realizar nas escolas;
2.ª Fase - a realizar nas Bibliotecas Municipais designadas pela DGLB;
3.ª Fase - a realizar em Lisboa em colaboração com a RTP.

Participe!

Consulte o regulamento do concurso na página do Plano Nacional de Leitura ou na Biblioteca da Escola.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

SUGESTÃO DE LEITURA (2)


O amor pelo Chile e uma grande nostalgia são a origem deste livro.
A presença contínua do passado, o sentimento de ver-se ausente da pátria, a melancolia por essa perda, a consciência de ter sido peregrina e forasteira: em O Meu País Inventado, Isabel Allende recolhe toda a emoção que isto implica, e transmite-a com inteligência e humor.
Analisado pelo olhar e pelas recordações da autora, o Chile torna-se um país real e simultaneamente fantástico, uma terra estóica e hospitaleira, de homens machistas e mulheres fortes, apegadas à terra.
Mas, essencialmente, é o cenário da sua infância que aparece retratado: evocados com graça, aqui ganham vida de novo a sua original família, a casa dos avós, o cerimonial dos almoços, as histórias entrelaçadas, a do seu país e a sua própria, num tom intimista, de poética confissão autobiográfica.
(da contracapa da obra)

O livro encontra-se disponível na Biblioteca Escolar. Procure-o na estante das Novidades!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

VISITA À BIBLIOTECA (3)

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Os formandos visitaram a Biblioteca Escolar acompanhados pela formadora Isabel Farias.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

FESTA DOS LIVROS GULBENKIAN 2010

Cartaz: Fundação Calouste Gulbenkian
De 25 de Novembro a 23 de Dezembro, todos os dias, na Loja do Museu Gulbenkian e na Livraria da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian.
Consulte o programa no site da Fundação Calouste Gulbenkian.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O QUE PODE SER FEITO NA BIBLIOTECA ESCOLAR?

  • Leitura
  • Empréstimo domiciliário
  • Pesquisa bibliográfica
  • Utilizar computadores
  • Utilizar material audiovisual
  • Acesso à Internet
  • Consultar periódicos
  • Consultar dossiês temáticos
  • Elaborar trabalhos
  • Utilizar jogos didácticos
  • Visitar exposições temporárias.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

FORMANDOS NA BIBLIOTECA EM CONTEXTO DE SALA DE AULA


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Os formandos da turma B do Curso EFA de nível B3 tiveram uma sessão de formação na BE, no âmbito da formação na área de Linguagem e Comunicação.
Fizeram a correcção de textos produzidos na sessão anterior, consultando Dicionários Gerais, de Verbos e de Sinónimos. Depois começaram a preparar a actividade seguinte procurando/escolhendo livros que vão trabalhar e posteriormente apresentar aos colegas.
Texto de Ester Campos, formadora de Linguagem e Comunicação

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ARTE NA BIBLIOTECA (2)

A Mulher na Arte: Musa ou Artista
Trabalhos realizados pelos alunos das turmas L e M do 12.º ano, sob a orientação da professora Maria Nazaré Carreira.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

OS TRÊS REIS MAGOS, MARIA ADELAIDE ESPADA E JOSÉ SARAMAGO




Andrea Mantegna (entre 1495 e 1505), Museu J.Paul Getty, Los Angeles







José Saramago: "A mim o que me surpreende é que, normalmente, não se fale mais de Deus".
Juan Arias, José Saramago, O Amor Possível

Homo viator et juif errant disent que le passage a encore plus de génie que le lieu.
Régis Debray, Dieu, un itinéraire

Se estivesse entre nós, José Saramago comemoraria hoje, 16 de Novembro de 2010, 88 anos de vida. Lembramos esta data, comemoramo-la, evocando o seu romance Levantado do Chão e, em particular, porque se trata do aniversário do seu autor, recordamos, a propósito do nascimento da personagem Maria Adelaide, a descrição das três visitas que recebe e as circunstâncias que rodeiam esse episódio.


São conhecidas as diatribes suscitadas pelas tomadas de posição de José Saramago sobre questões polémicas, políticas, sociais e religiosas, envolvendo também a igreja católica, mais recentemente a propósito da publicação do seu romance Caim. No entanto, convém não esquecer que a sua obra está imbuída de referências bíblicas, mostrando, da parte do autor, um conhecimento vasto e aprofundado das Escrituras. Este facto, se, por um lado, lhe permite subverter episódios bíblicos, denunciando aquilo que considera excessos, omissões ou injustiças, por outro, dá-lhe a possibilidade de os utilizar para sacralizar o que é laico, divinizar o que é humano.


É essa transposição que encontramos na visita feita à bebé Maria Adelaide, pelos três "reis magos", João Mau-Tempo, António Mau-Tempo e Manuel Espada, como se em Monte Lavre tivesse (re)nascido aquele, aquela, cujo desígnio seria salvar os seus semelhantes. Na verdade, à medida que avançamos na história, apercebemo-nos de um crescendo, que passa por um episódio de sofrimento atroz, com a descrição da paixão de Germano Vidigal, vítima de tortura, seguido do nascimento de Maria Adelaide e terminando no dia do Apocalipse, da revelação, concentrando nesta personagem a centralidade deste dia "levantado e principal".


Embora referidos em São Mateus ("vieram uns magos do Oriente a Jerusalém", 2-1), os três Reis Magos, Belchior, Gaspar e Baltasar, representam uma tradição posterior aos Evangelhos, no que aos seus nomes, à descrição do seu aspecto e condição social e às oferendas com que presenteiam o Menino diz respeito. José Saramago apoiou-se nesta tradição e também ele, em Levantado do Chão, conduziu até junto de Maria Adelaide três visitantes, o Avô, o Tio e o Pai, acompanhados de presentes, como manda a tradição. O Avô, o mais velho, não oferece ouro, como é devido a um rei e, especialmente, ao Rei Mago Belchior; o presente do Tio não é incenso, como seria de esperar de um jovem rei Gaspar, apresentando-se em reconhecimento da divindade de um recém-nascido; o Pai não oferece mirra, em reconhecimento da humanidade da menina, como o fez Baltasar. Estes "reis magos" trazem flores: uma flor de gerânio que logo é renomeada - assim que a voz narrativa muda o seu referente, deixa de falar do rei e vira-se para João Mau-Tempo, passa a ser a sardinheira o nome que a identifica, designação pouco própria de flor de jardim de palácio real, mas em plena sintonia com o quintal florido de uma casa pobre do qual foi arrancada; a segunda flor é um malmequer - de imediato é chamada bem-me-quer, tendo em vista a presenteada a quem se destina; e a terceira prenda, dupla - duas mãos espalmadas, do Pai, simbolizando duas flores.


O ouro, o incenso e a mirra, presentes de Belchior, Gaspar e Baltasar, representando a realeza, a divindade e a humanidade, são aqui substituídos pela singeleza destes presentes - o gerânio/ sardinheira, o malmequer/ bem-me-quer e ambas as mãos do Pai. Neles não existem laivos de realeza, o carácter sagrado foi-lhes emprestado pelo autor e porventura conceder-lhos-á o leitor. Resta a humanidade - ela perpassa o episódio referido, o romance e a obra do autor.


JOSÉ SARAMAGO

16 de Novembro de 1922 - 18 de Junho de 2010


Foto: www.sapo.pt (Consult. 18 Jun. 2010)

No dia em que se celebra o aniversário do escritor, aqui fica um excerto do romance A Viagem do Elefante:

Por muito incongruente que possa parecer a quem não ande ao tento da importância das alcovas sejam elas sacramentadas, laicas ou irregulares, no bom funcionamento das administrações públicas, o primeiro passo da extraordinária viagem de um elefante à áustria que nos propusemos narrar foi dado nos reais aposentos da corte portuguesa, mais ou menos à hora de ir para a cama. Registe-se já que não é obra de simples acaso terem sido aqui utilizadas estas imprecisas palavras, mais ou menos. Deste modo, dispensámos, com assinalável elegância, de entrar em pormenores de ordem física e fisiológica algo sórdidos, e quase sempre ridículos, que, postos em pelota sobre papel, ofenderiam o catolicismo estrito de dom joão, o terceiro, rei de portugal e dos algarves, e de dona catarina de áustria, sua esposa e futura avó daquele dom sebastião que irá a pelejar a alcácer-quibir e lá morrerá ao primeiro assalto, ou ao segundo, embora não falte quem afirme que se finou por doença na véspera da batalha.

Para continuar a ler, dirija-se à Biblioteca. Na classe 8 (Língua. Linguística. Literatura) encontrará a obra de José Saramago. Boa leitura.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA (3)

Exposição sobre José Saramago, organizada pela equipa de coordenação da BE, patente na Biblioteca até 19 de Novembro.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SUGESTÃO DE LEITURA (1)

Na sequência do anterior Pensatempos, Mia Couto ressurge com um conjunto de textos de intervenção que resulta da sua participação em encontros públicos nos últimos anos. São textos de reflexão crítica de um autor de ficção que, ao mesmo tempo que reinventa o seu universo, não abdica da sua missão de pensar o mundo.
As intervenções abordam temas que vão da política à literatura, da cultura à antropologia, mas todos eles confirmam como o escritor moçambicano faz da sensibilidade poética um modo de entender a complexidade do nosso tempo.
(da contracapa da obra)


Os livros encontram-se disponíveis na Biblioteca Escolar. Procure na estante das Novidades!



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

PRIMEIRAS AQUISIÇÕES DO PROJECTO

Informe-se aqui dos primeiros títulos disponíveis para consulta na Biblioteca Escolar.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

ARTE NA BIBLIOTECA (1)

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Trabalhos realizados pelos alunos da turma O1 do 10.º ano do Curso Profissional de Técnico de Apoio à Infância, sob a orientação do professor Bruno Côrte Fernandes.
No âmbito da disciplina de Expressão Plástica, tendo em conta os elementos estruturais da linguagem plástica,  foi pedido aos alunos que pintassem o seu retrato.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA (2)

Exposição sobre Mario Vargas Llosa, Prémio Nobel da Literatura 2010, organizada pela professora Maria Luísa Barros.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

UMA ESCOLA SEM BIBLIOTECA COMO SERIA?

Os utilizadores da BE deixaram a sua opinião no mural colocado para o efeito à entrada da Biblioteca Escolar.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O TEMPO DAS PALAVRAS


Ontem, na Biblioteca da Escola, assistimos à apresentação do livro de poesia O Tempo das Palavras, da autoria do professor António Souto e do professor Armindo Silva, professor de Artes na nossa Escola.

O livro, oferecido pelos autores à Biblioteca, está disponível na estante das novidades.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DIA DA BIBLIOTECA ESCOLAR

A data foi assinalada na Escola com as seguintes actividades:
  • Encontros de Leitura 
  • Mural: Uma Escola sem Biblioteca como seria?
  • Cartaz 
  • Receita de Leitura
  • Apresentação Multimédia
  • Boletim Informativo 
  • Exposição Temporária.

domingo, 24 de outubro de 2010

EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA (1)

Exposição sobre Filosofia e República, na Biblioteca da Escola, organizada pelo professor António Daniel Costa.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

VISITA À BIBLIOTECA (2)

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Formandos do Curso EFA S2 acompanhados pela formadora de CLC, Inês Jerónimo

terça-feira, 5 de outubro de 2010

INAUGURAÇÃO DA ESCOLA

No dia em que se comemorou o Centenário da República, a Escola foi inaugurada pelo Doutor Alberto Martins, Ministro da Justiça.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PROJECTO GULBENKIAN

Apoio a Bibliotecas Escolares/Centro de Recursos Educativos do Ensino Secundário

Objectivo Geral do Projecto:
Promover o gosto pela leitura e a literacia junto dos Adultos que frequentam a Escola, sempre numa perspectiva de interacção entre a Biblioteca Escolar (BE) e as diferentes áreas temáticas.

Resumo do Projecto
Este projecto dirige-se ao segmento de Adultos em formação/certificação de competências e pretende ir ao encontro dos seguintes objectivos:
  1. Melhorar o sucesso e a qualidade do sucesso dos Adultos, reforçando as competências de leitura e literacia necessárias ao processo individual de pesquisa, selecção, produção e comunicação de informação.
  2. Promover um clima e um ambiente facilitadores do desenvolvimento integral dos adultos e da sua envolvência na Escola, dinamizando actividades de leitura e escrita em articulação estreita com as áreas temáticas inscritas nos Referenciais das diferentes modalidades de formação/certificação.
  3. Promover a leitura associada ao lazer e ao prazer.
  4. Sensibilizar os Adultos para atitudes e valores que promovam o exercício de uma cidadania activa.
  • Patrocínio da FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN.
  • Projecto a desenvolver ao longo do ano lectivo 2010/2011.